O Crystal Palace está a apenas 90 minutos de alcançar a primeira final europeia da sua história recente, mas o Shakhtar Donetsk ainda acredita que pode contrariar todas as probabilidades na segunda mão das meias-finais da Conference League. Depois da vitória inglesa por 3-1 em Cracóvia, os Eagles entram em vantagem em Selhurst Park, enquanto os ucranianos precisam de uma exibição histórica para manter vivo o sonho continental.

Palace perto de uma noite inesquecível

A campanha europeia do Crystal Palace tem sido uma das grandes histórias da temporada e a equipa de Oliver Glasner chega à segunda mão em posição muito confortável. O triunfo por 3-1 fora de casa colocou os londrinos com um pé na final, numa eliminatória em que demonstraram maturidade, eficácia ofensiva e capacidade de sofrimento nos momentos mais complicados.

Apesar da derrota pesada por 3-0 frente ao Bournemouth na Premier League no último fim de semana, o ambiente em Selhurst Park continua marcado pela confiança. O Palace mantém-se invicto em casa nas competições europeias esta época, somando três vitórias e dois empates nos últimos cinco encontros continentais diante dos seus adeptos.

A consistência defensiva também tem sido uma das grandes armas da equipa inglesa. Em todas as competições, o Palace atravessa uma série de sete jogos sem perder em casa, tendo mantido a baliza inviolada em seis desses encontros.

Shakhtar tenta contrariar a história

Do outro lado estará um Shakhtar Donetsk habituado a sobreviver em circunstâncias extremas. Obrigado a disputar os seus jogos longe da Ucrânia há vários anos, o clube continua a representar uma enorme resistência emocional e competitiva no futebol europeu.

A vitória por 2-1 frente ao Dynamo Kyiv no campeonato deu novo ânimo à equipa de Arda Turan antes da viagem a Londres, mas a tarefa continua gigantesca. O Shakhtar nunca conseguiu recuperar de uma derrota por dois golos na primeira mão de uma eliminatória europeia e terá de quebrar esse registo se quiser chegar à final.

Ainda assim, os números recentes como visitante oferecem alguma esperança aos ucranianos. O Shakhtar venceu cinco dos últimos sete jogos fora de casa, embora apenas uma dessas vitórias tenha acontecido por três ou mais golos de diferença — exatamente o cenário necessário para evitar a eliminação nos 90 minutos.

Mateta pode voltar a ser decisivo

Jean-Philippe Mateta continua a ser uma das grandes referências ofensivas do Palace. O avançado francês marcou os seus últimos nove golos em Selhurst Park e tornou-se peça fundamental no esquema ofensivo de Glasner, especialmente em jogos grandes.

Já o Shakhtar deposita esperanças em Isaque Silva. O brasileiro tem sido particularmente perigoso fora de casa, marcando os seus últimos quatro golos como visitante, todos eles na segunda parte — um dado importante para uma equipa obrigada a correr atrás do prejuízo.

Jogo promete emoção e espaços

Com o Palace confortável na eliminatória e o Shakhtar obrigado a atacar, a tendência é para um encontro aberto e intenso. Os ingleses deverão explorar os contra-ataques e a velocidade dos seus homens da frente, enquanto os ucranianos precisarão assumir riscos desde cedo.

A história favorece claramente os Eagles, mas o espírito competitivo do Shakhtar já surpreendeu o futebol europeu em várias ocasiões. Em Londres, estará em jogo muito mais do que uma vaga na final: estará em causa uma oportunidade de escrever história para ambos os clubes.

Por: Eduardo P. Silva