A Seleção Brasileira iniciou sua caminhada na Copa do Mundo de 2026 com um empate por 1 a 1 diante de Marrocos, neste sábado, no MetLife Stadium, em Nova Jérsia. Em uma partida intensa e equilibrada, os africanos foram superiores durante boa parte do confronto e chegaram a estar em vantagem graças ao gol de Ismael Saibari. Coube a Vinícius Júnior, principal destaque brasileiro, evitar a derrota, enquanto Alisson brilhou nos minutos finais para garantir um ponto ao time comandado por Carlo Ancelotti.

Sem Neymar, que segue em recuperação física, Ancelotti surpreendeu ao escalar Igor Thiago como referência ofensiva. Do outro lado, Marrocos mostrou desde os primeiros minutos por que é considerado uma das seleções mais fortes da atualidade, repetindo a organização e a confiança que marcaram sua histórica campanha no Mundial de 2022.

Os Leões do Atlas começaram melhor e criaram as primeiras oportunidades da partida. Hakimi e Brahim Díaz exploravam constantemente os espaços deixados pela defesa brasileira, enquanto El Aynaoui obrigava Bruno Guimarães a salvar uma bola praticamente sobre a linha de gol.

O domínio marroquino foi recompensado aos 20 minutos. Em uma jogada de alta qualidade, Brahim Díaz encontrou Ismael Saibari com um passe preciso entre os defensores brasileiros. O meia apareceu livre diante de Alisson e finalizou com enorme categoria, aplicando uma cavadinha para abrir o placar e silenciar momentaneamente a torcida brasileira.

Mesmo em dificuldades, o Brasil encontrou forças na qualidade individual de seus principais jogadores. Aos 31 minutos, Bruno Guimarães lançou Vinícius Júnior pela esquerda. O atacante do Real Madrid puxou para o meio e bateu colocado, sem chances para Bono, empatando a partida e marcando seu décimo gol pela Seleção em sua 50ª atuação com a camisa amarela.

O empate trouxe mais equilíbrio ao jogo, mas também aumentou a intensidade das disputas. Casemiro e Roger Ibañez receberam cartões amarelos em sequência, enquanto Lucas Paquetá quase virou o marcador pouco antes do intervalo com uma bela tentativa acrobática defendida por Bono.

Na segunda etapa, Ancelotti promoveu mudanças importantes, lançando Danilo e Fabinho nas vagas dos advertidos. O Brasil voltou melhor e chegou a assustar com Igor Thiago, mas o goleiro marroquino voltou a aparecer com segurança.

Com o passar dos minutos, o desgaste físico passou a influenciar o ritmo da partida. Marrocos assumiu o controle da posse de bola e encontrou em Ayyoub Bouaddi uma peça fundamental para ditar o jogo. O jovem de apenas 18 anos impressionou pela maturidade, distribuindo passes com precisão e comandando as ações do meio-campo africano.

Enquanto os brasileiros apostavam nos contra-ataques, os marroquinos mantinham o controle territorial. Ainda assim, as chances claras rarearam até os minutos finais.

Nos acréscimos, o drama tomou conta da partida. Danilo desperdiçou uma boa oportunidade para o Brasil, mas foi Marrocos quem ficou mais perto da vitória. Aos 99 minutos, El Aynaoui arriscou um chute de longa distância e obrigou Alisson a fazer uma defesa espetacular. Na sequência, o goleiro brasileiro mostrou reflexos impressionantes para bloquear a finalização de Ayoube Amaimouni no rebote, salvando a Seleção de uma derrota na estreia.

O apito final confirmou o empate por 1 a 1, resultado que deixa tudo em aberto no Grupo C. Embora Vinícius Júnior tenha sido decisivo mais uma vez, o Brasil saiu de campo com a sensação de que ainda precisa evoluir para justificar o favoritismo ao título mundial.

Já Marrocos reforçou a impressão de que a campanha histórica de 2022 não foi acaso. Com uma atuação madura, organizada e tecnicamente consistente, os africanos mostraram capacidade para competir de igual para igual com qualquer seleção do torneio.

Melhor em campo: Ayyoub Bouaddi (Marrocos).

O jovem meio-campista marroquino comandou as ações no setor central, demonstrando personalidade, qualidade técnica e impressionante maturidade. Com apenas 18 anos, foi uma das principais razões para o domínio territorial dos Leões do Atlas durante grande parte da partida.

Por: Eduardo P. Silva