A seleção de Portugal inicia esta terça-feira a sua caminhada no Mundial de 2026 diante da RD Congo, em Houston, num encontro que coloca frente a frente uma das candidatas ao título e uma das histórias mais inspiradoras desta edição da competição.
Os comandados de Roberto Martínez chegam à América do Norte com grandes expectativas e carregando o estatuto de favoritos. Com apenas uma derrota nos últimos 13 encontros, Portugal apresenta uma das equipas mais talentosas do torneio e procura finalmente transformar o seu potencial em sucesso na principal competição do futebol mundial.
Portugal quer começar com o pé direito
A qualificação foi praticamente irrepreensível para os portugueses. O destaque maior surgiu na goleada por 9-1 sobre a Arménia, resultado que evidenciou toda a capacidade ofensiva da equipa.
Apesar do excelente momento, a história recente mostra que Portugal nem sempre consegue transportar o favoritismo para os Mundiais. Desde a histórica campanha de 1966, quando alcançou as meias-finais, a seleção portuguesa tem encontrado dificuldades para confirmar as expectativas nas fases decisivas.
Os jogos de estreia também não têm sido particularmente tranquilos. Portugal venceu apenas um dos últimos quatro encontros inaugurais em Mundiais, registando ainda dois empates e uma derrota. Ainda assim, a qualidade individual do plantel faz acreditar que a equipa poderá iniciar esta edição de forma convincente.
RD Congo regressa após mais de meio século
Do outro lado estará uma RD Congo que volta a disputar um Campeonato do Mundo pela primeira vez desde 1974, quando ainda competia sob a designação de Zaire.
O regresso acontece após uma espera de 52 anos e representa um momento histórico para o futebol congolês. A qualificação foi garantida através de um play-off intercontinental decidido por uma vitória por 1-0 sobre a Jamaica.
Contudo, a preparação para o torneio não foi das mais tranquilas. Além dos resultados pouco animadores nos amigáveis de preparação, o país viveu dificuldades relacionadas com um surto de Ébola, situação que afetou a deslocação de adeptos para acompanhar a equipa no Mundial.
O selecionador Sébastien Desabre acredita, porém, que os Leopards podem surpreender e mostrar ao mundo a evolução do futebol congolês.
Cristiano Ronaldo continua a fazer história
Mesmo aos 41 anos, Cristiano Ronaldo continua a ser uma das principais referências da seleção portuguesa. O capitão chega ao Mundial de 2026 como o único jogador da história a marcar em cinco edições diferentes da competição.
O avançado português continua a bater recordes e tentará ampliar uma marca impressionante, sobretudo frente a seleções africanas, contra as quais apontou vários dos seus golos mais recentes em fases finais de Mundiais.
Na RD Congo, as atenções estarão voltadas para Cédric Bakambu. O experiente avançado foi uma das figuras da qualificação e marcou quatro golos, todos ainda durante a primeira parte dos encontros.
Números que chamam a atenção
- Portugal marcou em dez jogos consecutivos de Mundiais antes da derrota frente a Marrocos nos quartos de final de 2022.
- Nove dos últimos 13 jogos da seleção portuguesa terminaram com mais de 2,5 golos.
- Dezoito das últimas 22 vitórias da RD Congo aconteceram sem sofrer golos.
- Os últimos quatro golos sofridos pelos congoleses surgiram todos após o minuto 50.
Favoritismo português em teste
No papel, Portugal entra como claro favorito para conquistar os três pontos e assumir desde já uma posição privilegiada no grupo. A profundidade do plantel, a experiência internacional e o poder de fogo ofensivo colocam a equipa europeia num patamar superior.
Contudo, a história dos Mundiais está repleta de surpresas, e a RD Congo pretende aproveitar a sua condição de outsider para dificultar ao máximo a vida aos portugueses.
A seleção das quinas sabe que qualquer deslize pode complicar o caminho rumo às fases mais adiantadas da competição. Por isso, a missão em Houston é simples: vencer, convencer e iniciar da melhor forma a caminhada em busca de um título mundial que continua a faltar na rica história do futebol português.
Por: Eduardo P. Silva