Portugal encerrou a fase de grupos do Mundial de 2026 com um empate sem golos diante da Colômbia, resultado que garantiu a qualificação, mas deixou muitas dúvidas sobre a capacidade da equipa de Roberto Martínez para lutar pelo título. Num jogo equilibrado e com poucas oportunidades claras, o nulo manteve-se até ao apito final, com os colombianos a assegurarem a liderança do Grupo K e os portugueses a ficarem no segundo lugar.

Colômbia entrou melhor e assustou cedo

A partida começou com a Colômbia mais agressiva e determinada a confirmar o primeiro lugar do grupo. Logo aos dois minutos, Jhon Córdoba apareceu livre na área, mas o cabeceamento saiu muito perto da barra.

Os sul-americanos continuaram a criar os melhores lances da primeira parte. Aos 17 minutos, Córdoba voltou a surgir em destaque após uma excelente jogada individual, obrigando Diogo Costa a realizar uma intervenção decisiva.

Pouco depois, Jhon Arias esteve perto de inaugurar o marcador, mas viu o seu remate ser cortado quase sobre a linha de golo pela defensiva portuguesa.

Portugal cresceu, mas faltou eficácia

A resposta portuguesa surgiu sobretudo através de Bruno Fernandes e João Félix.

O médio do Manchester United teve uma boa oportunidade aos 39 minutos, mas o remate saiu à figura de Camilo Vargas. Já João Félix desperdiçou a melhor ocasião lusa antes do intervalo, atirando por cima da baliza após encontrar espaço dentro da área.

Apesar de ter mais posse de bola em vários momentos, Portugal voltou a demonstrar dificuldades para criar situações claras de finalização, um problema que já havia sido visível na estreia diante da República Democrática do Congo.

Segunda parte sem inspiração

Roberto Martínez tentou mexer na equipa ao intervalo, lançando João Neves e Diogo Dalot, mas o encontro manteve-se equilibrado.

A Colômbia continuou perigosa. Richard Ríos esteve muito perto do golo com um voleio que passou a centímetros do poste, enquanto Gustavo Puerta também assustou com um remate de longa distância.

Do lado português, a entrada de Rafael Leão trouxe maior velocidade ao ataque, mas a equipa continuou sem conseguir encontrar espaços suficientes para ultrapassar a organização defensiva colombiana.

VAR evita derrota portuguesa

Quando tudo indicava que o empate seria o resultado final, a Colômbia chegou a festejar nos descontos.

Davinson Sánchez apareceu para finalizar uma jogada de bola parada e colocou a bola no fundo das redes portuguesas. No entanto, o VAR identificou uma posição irregular na construção da jogada e o golo acabou anulado, mantendo o 0-0 no marcador.

O lance gerou enorme alívio entre os portugueses e frustração entre os colombianos, mas confirmou o empate que acabou por satisfazer ambas as equipas em termos de qualificação.

Portugal qualifica-se, mas sem convencer

Depois do empate frente à RD Congo na estreia, da goleada sobre o Uzbequistão e deste novo nulo diante da Colômbia, Portugal termina a fase de grupos com apenas uma vitória em três jogos.

A equipa das quinas garantiu a passagem aos 16 avos de final, mas as exibições continuam longe de entusiasmar os adeptos. A falta de criatividade ofensiva e a dificuldade em criar oportunidades consistentes voltaram a ser evidentes.

Cristiano Ronaldo teve uma participação discreta e esteve longe de conseguir assumir o protagonismo ofensivo que muitos esperavam.

Croácia será o próximo obstáculo

Com o segundo lugar do Grupo K, Portugal terá agora pela frente a Croácia nos 16 avos de final, num dos confrontos mais equilibrados desta fase.

A seleção croata chega motivada após vencer o Gana por 2-1 e conta com a experiência de Luka Modrić para tentar eliminar os portugueses.

Já a Colômbia, líder do grupo, segue para a próxima fase com confiança reforçada após terminar invicta e confirmar o estatuto de uma das equipas mais consistentes desta primeira fase do Mundial.

Portugal continua vivo na competição, mas a margem para exibições pouco inspiradas está cada vez menor à medida que o torneio entra na sua fase decisiva.

Por: Eduardo P. Silva