Nova regra promete acabar com a “cera” dos goleiros; entenda a mudança que já estreia na Inglaterra

O futebol pode estar prestes a viver uma das maiores mudanças recentes nas regras para combater a perda de tempo. A partir desta temporada, competições da Inglaterra vão testar uma medida inédita que penaliza equipes cujos goleiros recebam atendimento médico em campo, obrigando o time a atuar temporariamente com um jogador a menos.

A novidade estreia na Copa da Liga Inglesa e tem como principal objetivo reduzir as famosas “ceras”, estratégia frequentemente utilizada para esfriar o ritmo da partida e garantir resultados favoráveis nos minutos finais.

Como funciona a nova regra?

Sempre que um goleiro precisar de atendimento médico durante a partida, sua equipe será obrigada a jogar com um atleta de linha a menos durante um minuto após o reinício do jogo.

O treinador terá apenas dez segundos para indicar qual jogador deixará o gramado temporariamente. Caso não faça a escolha dentro do prazo, o capitão da equipe será automaticamente o atleta retirado.

A regra foi aprovada em conjunto pela Federação Inglesa (FA), Premier League, English Football League (EFL), National League e Women’s Super League (WSL), contando ainda com autorização do IFAB, órgão responsável pelas regras oficiais do futebol.

Objetivo é reduzir a perda de tempo

Nos últimos anos, tornou-se comum ver goleiros permanecerem caídos após defesas importantes, solicitando atendimento médico enquanto a equipe aproveita para reorganizar o sistema defensivo ou receber instruções do treinador.

Um dos episódios mais comentados aconteceu em 2025, quando o técnico do Leeds United, Daniel Farke, acusou Gianluigi Donnarumma, então goleiro do Manchester City, de simular uma lesão para interromper o ritmo da partida.

A nova medida busca justamente impedir esse tipo de estratégia sem prejudicar casos realmente necessários.

Situações em que a punição não será aplicada

Nem todo atendimento fará com que a equipe fique com um jogador a menos. A regra prevê algumas exceções importantes:

  • quando o goleiro informar que não necessita de atendimento;
  • em colisões envolvendo dois jogadores;
  • se o goleiro sofrer uma falta;
  • em casos de sangramento;
  • quando a lesão exigir substituição definitiva.

Essas situações foram incluídas para evitar prejuízos às equipes em casos considerados inevitáveis.

Teste pode chegar ao futebol mundial

A Inglaterra não será o único país a testar a novidade. A Liga A da Austrália também confirmou que adotará uma versão semelhante da regra.

A principal diferença é que, no campeonato australiano, o capitão será automaticamente o jogador escolhido para deixar o campo durante o minuto de punição, sem necessidade de decisão do treinador.

Os resultados dos testes serão analisados ao longo da temporada pelo IFAB. Caso os dados mostrem redução significativa nas simulações de lesão e na perda deliberada de tempo, a regra poderá ser incorporada oficialmente às Leis do Jogo a partir da temporada 2027/28.

Se isso acontecer, competições como a Liga dos Campeões, Copa do Mundo, Libertadores e campeonatos nacionais de todo o planeta poderão adotar a medida.

Brasileirão também aposta em tecnologia

Enquanto a Inglaterra testa mudanças para combater a cera, o futebol brasileiro passou a utilizar uma importante inovação tecnológica.

Desde o início do segundo turno do Campeonato Brasileiro, o torneio conta com o impedimento semiautomático (SAOT), tecnologia desenvolvida pela GeniusIQ após um investimento de R$ 9,6 milhões da CBF.

O sistema utiliza entre 28 e 32 câmeras instaladas em cada estádio para auxiliar a arbitragem na análise dos lances de impedimento. Diferentemente do modelo utilizado na Copa do Mundo, porém, a validação das jogadas continua sendo feita manualmente pelos árbitros de vídeo.

Segundo dados das ligas que já utilizam a tecnologia, o tempo necessário para confirmar uma decisão de impedimento caiu, em média, 33%.

Mudança pode transformar o comportamento dos goleiros

Caso os testes sejam considerados bem-sucedidos, a nova regra poderá alterar significativamente a forma como goleiros administram os minutos finais das partidas.

A expectativa é que a punição temporária desestimule simulações de lesão e torne os jogos mais dinâmicos, preservando apenas os atendimentos realmente necessários. Se aprovada em definitivo, a medida poderá representar uma das alterações mais impactantes nas regras do futebol nos últimos anos.

Por: Eduardo P. Silva