O Atlético de Madrid conquistou a LaLiga 2013/14 em uma das campanhas mais impressionantes da história recente do futebol espanhol. Com Diego Simeone no comando, Diego Costa como principal artilheiro e uma defesa liderada por Thibaut Courtois, Diego Godín e Miranda, os colchoneros terminaram a competição com 90 pontos e deixaram Barcelona e Real Madrid para trás.
Durante anos, conquistar a LaLiga parecia uma missão praticamente reservada a dois clubes: Barcelona e Real Madrid.
Entre 2004 e 2013, apenas os dois gigantes haviam conseguido levantar o troféu. O Atlético de Madrid, entretanto, decidiu desafiar essa lógica.
Sob o comando de Diego Pablo Simeone, os rojiblancos construíram uma equipa extremamente competitiva, intensa e disciplinada, capaz de enfrentar os gigantes espanhóis sem complexos.
O resultado foi histórico.
O Atlético terminou a temporada 2013/14 na liderança com 90 pontos, fruto de 28 vitórias, seis empates e apenas quatro derrotas. Marcou 77 gols e sofreu somente 26, terminando com a melhor defesa da competição.
E o mais impressionante: o título foi confirmado justamente no estádio do Barcelona, na última rodada.
O contexto: um terceiro gigante começava a surgir
A chegada de Simeone ao Atlético, em dezembro de 2011, mudou completamente a identidade do clube.
O treinador argentino recuperou a competitividade de uma equipa que havia conquistado a Liga Europa em 2012 e a Supertaça Europeia no mesmo ano.
Na temporada 2012/13, o Atlético deu mais um passo importante.
Os colchoneros terminaram a LaLiga em terceiro lugar e conquistaram a Copa del Rey, derrotando o Real Madrid por 2-1 no Santiago Bernabéu na final.
A vitória contra o maior rival já mostrava que o Atlético estava preparado para desafiar os gigantes.
Mas ninguém imaginava o que aconteceria na temporada seguinte.
A construção do Atlético campeão
O Atlético não tinha o orçamento de Barcelona e Real Madrid.
Também não possuía estrelas como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.
A sua força estava na construção coletiva.
Thibaut Courtois era uma das grandes revelações da posição de guarda-redes.
Na defesa, Simeone tinha jogadores como Juanfran, Miranda, Diego Godín e Filipe Luís.
No meio-campo, Gabi, Koke, Tiago e Arda Turan davam equilíbrio, intensidade e qualidade técnica.
E no ataque aparecia a grande estrela da temporada:
Diego Costa.
O avançado brasileiro naturalizado espanhol marcou 27 gols na LaLiga e terminou a competição como principal goleador do Atlético.
A equipa ainda contava com nomes importantes como David Villa, Raúl García, Adrián López e Diego.
Era um plantel sem a quantidade de estrelas dos rivais, mas extremamente equilibrado.
Um início de campeonato que assustou os gigantes
O Atlético começou a LaLiga 2013/14 com uma vitória fora de casa sobre o Sevilla.
Sevilla 1-3 Atlético de Madrid.
Na segunda jornada, veio um dos primeiros sinais de que aquela equipa poderia fazer algo especial.
No Vicente Calderón, o Atlético goleou o Rayo Vallecano por 5-0.
Depois vieram vitórias sobre Real Sociedad, Almería, Valladolid e Osasuna.
A equipa começou a acumular pontos enquanto Barcelona e Real Madrid também disputavam a liderança.
O Atlético não era apenas competitivo.
Era consistente.
E essa talvez tenha sido a principal característica da campanha.
O primeiro grande aviso: vitória sobre o Real Madrid
Se havia alguma dúvida sobre a capacidade do Atlético para lutar pelo título, ela começou a desaparecer no dérbi de Madrid.
No Santiago Bernabéu, os colchoneros venceram o Real Madrid por 1-0, com gol de Diego Costa.
Foi uma vitória extremamente simbólica.
O Atlético não apenas venceu o rival como visitante. A equipa mostrou que conseguia controlar os momentos importantes de uma partida contra um adversário recheado de estrelas.
A vitória aumentou ainda mais a confiança do grupo.
E Simeone começava a transformar a famosa mentalidade “partido a partido” numa realidade.
A derrota que não destruiu o Atlético
Apesar da excelente campanha, o Atlético também teve momentos difíceis.
Uma das derrotas mais pesadas aconteceu contra o Espanyol.
O Atlético perdeu por 1-0 fora de casa.
Mas a equipa mostrou uma característica fundamental durante a temporada:
sabia reagir.
Em vez de entrar numa sequência negativa, os colchoneros rapidamente voltavam a conquistar pontos.
Essa capacidade de recuperação seria fundamental na reta final.
Diego Costa: o homem-gol
Se o Atlético tinha uma identidade coletiva muito forte, Diego Costa era a sua principal arma ofensiva.
O avançado viveu a melhor temporada da carreira até então.
Na LaLiga, marcou 27 gols.
Em todas as competições, terminou com 36 gols, sendo de longe o principal goleador do Atlético na temporada.
Costa combinava força física, velocidade, agressividade e capacidade de finalização.
Mas não era apenas um goleador.
Era também o jogador que melhor representava a personalidade do Atlético de Simeone.
Pressionava os defesas, disputava todas as bolas e transformava praticamente qualquer lance num duelo.
Os outros artilheiros do Atlético
A campanha, entretanto, não dependia apenas de Diego Costa.
Principais goleadores do Atlético em 2013/14
| Jogador | LaLiga | Todas as competições |
|---|---|---|
| Diego Costa | 27 | 36 |
| Raúl García | 10 | 18 |
| David Villa | 13 | 15 |
| Arda Turan | 3 | 9 |
| Diego Godín | 4 | 8 |
David Villa, contratado depois de deixar o Barcelona, teve papel importante na campanha e marcou 13 vezes no campeonato.
Raúl García também foi decisivo, principalmente em momentos nos quais o Atlético precisava de um jogador capaz de aparecer na área.
E havia ainda uma característica marcante:
os defesas também marcavam.
Godín, Miranda e outros jogadores contribuíram para uma equipa que não dependia exclusivamente dos seus avançados.
Koke e a ascensão de uma nova geração
Entre os grandes destaques da temporada estava também Koke.
Formado no próprio Atlético, o médio tornou-se um dos principais responsáveis pela construção das jogadas.
A sua capacidade de passe, visão de jogo e inteligência tática fizeram dele uma peça essencial para Simeone.
Koke representava algo importante naquele Atlético:
a combinação entre jogadores experientes e jovens formados no clube.
Ele não era uma superestrela mundial como Messi ou Cristiano Ronaldo.
Mas era exatamente o tipo de jogador que Simeone precisava.
A defesa que fez a diferença
Talvez a maior diferença entre o Atlético e os seus rivais estivesse no sistema defensivo.
Os colchoneros sofreram apenas 26 golos em 38 partidas.
Foram 20 jogos sem sofrer golos em todas as competições, segundo os registos da temporada.
No campeonato, o Atlético sofreu menos golos do que Barcelona e Real Madrid:
- Atlético: 26
- Barcelona: 33
- Real Madrid: 38
Courtois transmitia segurança na baliza.
Godín e Miranda formavam uma dupla extremamente forte no centro da defesa.
Juanfran e Filipe Luís davam intensidade pelos lados.
Mas o sistema defensivo não dependia apenas dos quatro defesas.
Todo o Atlético defendia.
A grande batalha contra Barcelona e Real Madrid
Ao longo da temporada, três equipas disputaram o topo da tabela.
Barcelona e Real Madrid tinham plantéis com estrelas de nível mundial.
O Barcelona contava com Messi, Neymar, Iniesta e Xavi.
O Real Madrid tinha Cristiano Ronaldo, Gareth Bale, Benzema, Modric e Di María.
O Atlético tinha outra coisa:
regularidade.
No final da temporada, Atlético e Barcelona terminaram com 90 e 87 pontos, respetivamente, enquanto o Real Madrid também ficou com 87.
A diferença foi pequena em pontos, mas enorme em significado.
O Atlético havia conseguido competir com dois dos clubes mais poderosos do mundo.
O jogo que mudou a temporada: Atlético 0-0 Barcelona
Em janeiro de 2014, Atlético e Barcelona enfrentaram-se no Vicente Calderón pela liderança.
O jogo terminou 0-0.
O resultado parecia simples, mas era extremamente importante.
O Atlético mostrou que conseguia neutralizar o Barcelona e manter-se na liderança.
A equipa não precisava de dominar todos os jogos.
Precisava apenas de sobreviver aos momentos difíceis.
O duelo decisivo contra o Barcelona
A temporada chegaria ao seu momento máximo na última jornada.
O Barcelona ainda tinha hipóteses de conquistar o título.
Para isso, precisava vencer o Atlético no Camp Nou.
O cenário era dramático.
O Atlético precisava apenas de um empate para ser campeão.
Mas o Barcelona tinha o fator casa e um plantel capaz de decidir jogos em poucos minutos.
E foi exatamente isso que aconteceu no início.
Camp Nou, 17 de maio de 2014: a final da LaLiga
O Barcelona começou melhor.
Alexis Sánchez colocou os catalães em vantagem.
Durante alguns minutos, o título parecia estar a fugir das mãos do Atlético.
Mas a equipa de Simeone não desistiu.
Na segunda parte, apareceu o homem que melhor simbolizava aquele Atlético:
Diego Godín.
Após um cruzamento para a área, o defesa uruguaio subiu mais alto e cabeceou para o fundo das redes.
Barcelona 1-1 Atlético de Madrid.
O resultado não mudou.
E o empate era suficiente.
Quando o árbitro apitou para o final, o Atlético de Madrid era oficialmente campeão espanhol.
O Atlético voltava a ser campeão 18 anos depois
O título teve uma dimensão histórica.
O Atlético não conquistava a LaLiga desde a temporada 1995/96.
Foram 18 anos de espera.
E a conquista de 2014 também representou algo ainda maior:
foi o primeiro clube além de Real Madrid e Barcelona a conquistar a LaLiga desde 2004.
O Atlético terminou a campanha com:
38 jogos
28 vitórias
6 empates
4 derrotas
77 golos marcados
26 golos sofridos
90 pontos
+51 de saldo de golos
A Champions League: o sonho que quase virou realidade
Se a temporada já era histórica, o Atlético ainda tinha outra competição pela frente.
A equipa havia chegado à final da UEFA Champions League.
E o adversário seria justamente o Real Madrid.
Era o maior palco possível para aquele Atlético.
Depois de eliminar Milan, Barcelona e Chelsea ao longo do mata-mata, os colchoneros chegaram à final em Lisboa.
E durante boa parte da partida, tudo parecia encaminhado para uma noite ainda mais histórica.
O gol de Godín também apareceu em Lisboa
A ironia foi enorme.
Poucos dias depois de marcar o golo que garantiu a LaLiga no Camp Nou, Diego Godín voltou a aparecer numa final.
Contra o Real Madrid, o uruguaio aproveitou uma saída errada de Iker Casillas e colocou o Atlético em vantagem.
Real Madrid 0-1 Atlético de Madrid.
O relógio avançava.
O título europeu parecia cada vez mais próximo.
Mas o futebol ainda guardava uma última reviravolta.
Sergio Ramos destrói o sonho no último instante
O Atlético estava a poucos segundos de conquistar a sua primeira Champions League.
Até que apareceu Sergio Ramos.
Já nos descontos, o defesa espanhol marcou de cabeça e empatou a final.
O Real Madrid levou a decisão para a prorrogação.
E o Atlético, fisicamente desgastado depois de uma temporada extraordinária, não conseguiu resistir.
Gareth Bale, Marcelo e Cristiano Ronaldo marcaram no prolongamento.
Real Madrid 4-1 Atlético Madrid.
O sonho europeu acabou da maneira mais dolorosa possível.
A grande surpresa: um Atlético capaz de desafiar os gigantes
A maior surpresa da temporada não foi um jogador.
Foi o próprio Atlético.
Poucos esperavam que a equipa conseguisse conquistar a LaLiga diante de Barcelona e Real Madrid.
O clube tinha menos recursos financeiros e menos estrelas globais.
Mesmo assim, terminou a temporada como campeão espanhol e vice-campeão europeu.
A campanha mostrou que organização, intensidade, trabalho coletivo e identidade podem compensar diferenças financeiras.
As grandes surpresas individuais
Diego Costa
Transformou-se num dos melhores avançados do futebol europeu.
Foram 27 golos na LaLiga e 36 em todas as competições.
Thibaut Courtois
O guarda-redes belga confirmou o enorme potencial e foi uma das principais peças defensivas da equipa.
Koke
Assumiu protagonismo no meio-campo e consolidou-se como um dos símbolos da nova geração do Atlético.
Raúl García
Foi muito mais do que um jogador de rotação e terminou a temporada com 18 golos em todas as competições.
Diego Godín
Além da liderança defensiva, marcou dois dos golos mais importantes da temporada: o que garantiu o título espanhol e o que colocou o Atlético em vantagem na final da Champions.
As decepções da temporada
Uma temporada histórica também teve momentos difíceis.
A eliminação na Copa del Rey
O Atlético era o campeão da Copa del Rey, mas acabou eliminado pelo Real Madrid nas semifinais.
Os merengues venceram os dois jogos da eliminatória e avançaram para a final, onde derrotariam o Barcelona.
A derrota na final da Champions
Foi, naturalmente, a maior decepção.
O Atlético esteve a poucos minutos de conquistar a Europa, mas sofreu o empate nos descontos e acabou derrotado por 4-1 no prolongamento.
A saída de Diego Costa da final
Costa chegou à decisão europeia com problemas físicos e deixou o campo logo aos nove minutos.
Foi uma situação especialmente dolorosa para o avançado, que havia sido fundamental durante toda a temporada.
O legado de Simeone
A temporada 2013/14 não foi apenas uma conquista.
Foi o momento em que o Atlético passou a ser visto de outra maneira.
Simeone criou uma equipa com uma identidade muito clara:
intensidade, organização, competitividade, união e mentalidade vencedora.
A famosa filosofia do treinador argentino — viver cada partida individualmente — transformou-se na essência daquele grupo.
A própria LaLiga resumiu posteriormente aquela campanha com uma expressão que define perfeitamente o Atlético de 2013/14:
“Game by Game.”
E, à medida que a temporada avançava, cada jogo se transformava numa final.
Atlético Madrid 2013/14: números da temporada
| Estatística | Número |
|---|---|
| LaLiga | 🏆 Campeão |
| Pontos | 90 |
| Jogos | 38 |
| Vitórias | 28 |
| Empates | 6 |
| Derrotas | 4 |
| Golos marcados | 77 |
| Golos sofridos | 26 |
| Saldo | +51 |
| Melhor marcador na LaLiga | Diego Costa — 27 |
| Melhor marcador em todas as competições | Diego Costa — 36 |
| Champions League | 🥈 Vice-campeão |
| Copa del Rey | Semifinalista |
| Supertaça de Espanha | Vice-campeão |
Os protagonistas do Atlético campeão
Thibaut Courtois
O último obstáculo para os adversários. Fundamental para a melhor defesa da competição.
Diego Godín
Líder defensivo e autor do golo que confirmou o título no Camp Nou.
Miranda
Parceiro de Godín e peça fundamental no sistema defensivo.
Gabi
O capitão. Representava perfeitamente a intensidade e a personalidade do Atlético.
Koke
O cérebro do meio-campo e um dos grandes símbolos da formação do clube.
Diego Costa
O grande goleador. 27 golos na LaLiga e 36 na temporada.
Diego Simeone
O treinador responsável por transformar um grupo competitivo numa equipa campeã.
Curiosidades sobre o título do Atlético de Madrid
Você sabia?
- O Atlético conquistou a sua 10ª LaLiga em 2014.
- O clube terminou o campeonato com 90 pontos, recorde do Atlético até então.
- Sofreu apenas 26 golos em 38 partidas.
- Diego Costa marcou 27 golos no campeonato.
- O título foi confirmado no Camp Nou, contra o Barcelona.
- Diego Godín marcou o golo do empate que garantiu o campeonato.
- O Atlético tornou-se o primeiro campeão espanhol fora do eixo Barcelona-Real Madrid desde 2004.
- A equipa também chegou à final da Champions League.
- O adversário na decisão europeia foi novamente o Real Madrid.
- Sergio Ramos empatou a final praticamente no último lance do tempo regulamentar.
O que tornou o Atlético de 2013/14 tão especial?
O Atlético Madrid de 2013/14 não foi apenas campeão porque tinha bons jogadores.
Foi campeão porque todos os jogadores sabiam exatamente o que precisavam fazer.
Courtois defendia.
Godín e Miranda protegiam.
Gabi comandava.
Koke criava.
Arda desequilibrava.
Raúl García aparecia na área.
David Villa ajudava no ataque.
E Diego Costa marcava.
No banco, Simeone comandava tudo.
Era uma equipa construída à imagem do treinador.
E talvez essa seja a principal razão pela qual aquela campanha permanece tão especial.
Conclusão
A conquista da LaLiga 2013/14 pelo Atlético de Madrid foi muito mais do que um título nacional.
Foi uma ruptura.
Depois de quase uma década de domínio dividido entre Barcelona e Real Madrid, os colchoneros provaram que era possível conquistar o campeonato espanhol através de organização, intensidade, disciplina e espírito coletivo.
O título conquistado no Camp Nou, com o cabeceamento de Diego Godín, tornou-se uma das imagens mais marcantes da história recente do futebol espanhol.
E a campanha poderia ter terminado com uma temporada ainda mais lendária.
O Atlético chegou à final da Champions League, esteve a poucos minutos da conquista europeia, mas acabou derrotado pelo Real Madrid no prolongamento.
Campeão espanhol, vice-campeão europeu e dono de uma das melhores defesas da Europa: o Atlético de Madrid de Diego Simeone escreveu em 2013/14 uma das páginas mais memoráveis da história do clube.
Por: Eduardo P. Silva