A temporada 2016/17 ocupa um lugar especial na história do futebol francês. Depois de anos de domínio do Paris Saint-Germain, o AS Monaco conseguiu conquistar a Ligue 1 com uma equipa jovem, ofensiva e extremamente talentosa.
Comandado por Leonardo Jardim, o Monaco não apenas voltou a ser campeão francês como também encantou a Europa com uma campanha memorável na Liga dos Campeões.
O título foi conquistado com 95 pontos, oito à frente do Paris Saint-Germain, e marcou o primeiro campeonato do clube desde 1999/2000.
Mais do que uma simples conquista nacional, a temporada 2016/17 ficou marcada pelo surgimento de uma geração extraordinária, liderada por nomes como Kylian Mbappé, Bernardo Silva, Thomas Lemar, Fabinho, Benjamin Mendy, João Moutinho e Radamel Falcao.
O contexto antes da temporada 2016/17
O Monaco entrou na temporada depois de uma campanha bastante positiva em 2015/16.
O clube havia terminado a Ligue 1 na terceira posição, garantindo uma vaga na Liga dos Campeões.
Leonardo Jardim começava a consolidar o seu trabalho no Principado, depois de uma primeira temporada complicada e de uma evolução progressiva da equipa.
O projeto do Monaco era diferente daquele adotado pelo PSG.
Em vez de depender apenas de grandes investimentos em estrelas estabelecidas, o clube apostava fortemente em jovens talentos, muitos deles recrutados ainda antes de atingirem o auge.
Essa estratégia começaria a dar resultados extraordinários.
Uma equipa construída para atacar
O grande diferencial daquele Monaco era a capacidade ofensiva.
Jardim montou uma equipa que combinava:
- velocidade;
- transições rápidas;
- pressão;
- intensidade;
- criatividade;
- qualidade individual;
- enorme capacidade de finalização.
O Monaco terminou a Ligue 1 com 107 golos marcados, um número impressionante.
Foi a equipa mais goleadora da competição e uma das grandes sensações do futebol europeu.
O ataque era liderado por Radamel Falcao, mas a grande revelação foi Kylian Mbappé.
O surgimento de Kylian Mbappé
A temporada 2016/17 foi o momento em que Kylian Mbappé deixou de ser apenas uma promessa e passou a ser uma realidade do futebol mundial.
O atacante francês tinha apenas 17 anos quando começou a ganhar protagonismo.
Sua velocidade e capacidade de atacar a profundidade tornaram-se armas fundamentais para o Monaco.
Mbappé terminou a Ligue 1 com 15 golos, mas o seu impacto ultrapassou os números.
Na Liga dos Campeões, marcou seis golos e tornou-se um dos principais protagonistas da campanha europeia do Monaco.
Aos poucos, os maiores clubes do continente começaram a disputar a sua contratação.
O Real Madrid, Manchester City, Barcelona e, posteriormente, o próprio PSG demonstraram interesse.
Poucos meses depois de conquistar o campeonato francês, Mbappé seria contratado pelo Paris Saint-Germain.
Falcao recupera o protagonismo
Enquanto Mbappé representava o futuro, Radamel Falcao era a grande referência da experiência.
Depois de temporadas complicadas por lesões e de uma passagem pouco feliz pela Premier League, o colombiano recuperou a sua melhor versão no Monaco.
Falcao marcou 21 golos na Ligue 1 e foi fundamental para a conquista do título.
O atacante também assumiu papel importante na Liga dos Campeões.
Sua capacidade de finalização e experiência complementavam perfeitamente a juventude de Mbappé.
A dupla tornou-se uma das mais perigosas do futebol europeu.
Bernardo Silva, o cérebro da equipa
Outro jogador fundamental foi Bernardo Silva.
O português atuava principalmente pelo lado direito, mas tinha liberdade para aparecer por dentro e participar da construção das jogadas.
Sua capacidade técnica ajudava a quebrar linhas defensivas e criar oportunidades para Falcao e Mbappé.
Bernardo terminou a temporada como um dos jogadores mais cobiçados da Europa.
Pouco depois do título francês, foi contratado pelo Manchester City.
A saída do português seria apenas uma das muitas perdas sofridas pelo Monaco depois daquela temporada histórica.
Fabinho e a força do meio-campo
Apesar do espetáculo ofensivo, o Monaco também tinha uma estrutura defensiva muito forte.
Fabinho era uma das peças mais importantes.
O brasileiro atuava como médio defensivo, mas também tinha capacidade para jogar como lateral-direito.
Sua leitura de jogo, força física e qualidade na distribuição eram fundamentais para equilibrar a equipa.
Ao seu lado, jogadores como Tiémoué Bakayoko davam intensidade ao meio-campo.
Na defesa, Benjamin Mendy, Djibril Sidibé, Kamil Glik e Jemerson formavam uma linha extremamente competitiva.
A corrida pelo título da Ligue 1
A temporada começou com o PSG como grande favorito.
O clube parisiense havia conquistado os quatro campeonatos anteriores e tinha um dos elencos mais caros do futebol europeu.
Mas o Monaco rapidamente mostrou que seria diferente.
A equipa de Jardim começou a acumular vitórias e golos.
A campanha ganhou força principalmente no segundo turno, quando o Monaco passou a dominar grande parte dos adversários.
Um dos jogos mais emblemáticos aconteceu em fevereiro de 2017, quando o Monaco derrotou o Manchester City na Liga dos Campeões e demonstrou que sua qualidade não estava limitada ao futebol francês.
Na Ligue 1, a equipa continuava a marcar em ritmo impressionante.
O PSG tentou acompanhar, mas não conseguiu manter o mesmo nível de regularidade.
Monaco campeão francês
A confirmação do título aconteceu em 17 de maio de 2017.
O Monaco recebeu o Saint-Étienne no Stade Louis II e venceu por 2-0, com gols de Kylian Mbappé e Valère Germain.
A vitória confirmou matematicamente o campeonato.
Depois de 17 anos, o Monaco voltava a ser campeão francês.
O clube terminou a competição com:
| Estatística | Monaco 2016/17 |
|---|---|
| Posição | 1º |
| Pontos | 95 |
| Gols marcados | 107 |
| Gols sofridos | 31 |
| Vitórias | 30 |
| Empates | 5 |
| Derrotas | 3 |
O domínio ofensivo foi especialmente impressionante.
Os 107 golos marcaram uma das melhores campanhas ofensivas da história recente da Ligue 1.
O jogo que simbolizou a conquista
Um dos confrontos mais importantes da campanha aconteceu contra o próprio PSG.
Em 29 de abril de 2017, Monaco e Paris Saint-Germain encontraram-se no Stade Louis II.
O Monaco venceu por 3-1, num resultado que praticamente confirmou a superioridade da equipa na corrida pelo campeonato.
André Silva marcou para o PSG, enquanto Falcao e Mbappé estiveram entre os protagonistas do Monaco.
A vitória deu ao clube uma enorme vantagem na reta final.
O PSG precisava de uma recuperação quase perfeita, mas o Monaco manteve a consistência necessária para chegar ao título.
Uma campanha histórica na Liga dos Campeões
Se o título francês já seria suficiente para tornar aquela temporada memorável, o Monaco foi ainda mais longe na Liga dos Campeões.
A equipa chegou às semifinais da competição, eliminando adversários de enorme peso pelo caminho.
Na fase de grupos, o Monaco terminou em primeiro lugar num grupo que também contava com Bayer Leverkusen, Tottenham e CSKA Moscovo.
Nos oitavos de final, veio o Manchester City.
No primeiro jogo, em Inglaterra, o City venceu por 5-3.
O Monaco, porém, protagonizou uma das grandes reviravoltas daquela edição.
No Stade Louis II, venceu por 3-1 e avançou para os quartos de final graças aos golos marcados fora de casa.
A eliminação do Borussia Dortmund
Nas quartas de final, o adversário foi o Borussia Dortmund.
O Monaco venceu o primeiro jogo por 3-2 na Alemanha.
Na partida de volta, novamente demonstrou a sua força ofensiva e venceu por 3-1.
Mbappé marcou duas vezes.
O Monaco estava entre as quatro melhores equipas da Europa.
A próxima barreira seria o gigante italiano Juventus.
Juventus interrompe o sonho europeu
Nas semifinais, o Monaco enfrentou a Juventus de Gianluigi Buffon, Giorgio Chiellini, Paulo Dybala e companhia.
A equipa italiana era extremamente sólida defensivamente e mostrou justamente essa força no confronto.
No primeiro jogo, disputado no Stade Louis II, a Juventus venceu por 2-0, com dois golos de Gonzalo Higuaín.
Na segunda partida, em Turim, o Monaco ainda conseguiu marcar através de Mbappé, mas a Juventus venceu por 2-1.
O resultado eliminou o Monaco.
Mesmo assim, a campanha europeia entrou para a história.
O clube havia chegado às semifinais e eliminado dois adversários ingleses e alemães antes de cair diante da futura vice-campeã europeia.
O estilo de Leonardo Jardim
Uma das grandes razões para o sucesso foi o trabalho de Leonardo Jardim.
O treinador português conseguiu criar um sistema que permitia aos jogadores ofensivos explorar as suas melhores características.
O Monaco era extremamente perigoso nas transições.
Quando recuperava a bola, procurava rapidamente os espaços nas costas da defesa adversária.
Mbappé era particularmente importante nesse contexto.
Sua velocidade permitia que o Monaco transformasse recuperações defensivas em oportunidades de golo em poucos segundos.
Ao mesmo tempo, Bernardo Silva oferecia criatividade, enquanto Falcao proporcionava presença dentro da área.
Era uma equipa ofensiva, mas não desorganizada.
Essa combinação tornou o Monaco tão difícil de enfrentar.
A geração que conquistou a Europa
O mais impressionante daquela equipa foi a quantidade de jogadores que posteriormente se tornariam estrelas.
Kylian Mbappé
Campeão mundial em 2018 e posteriormente vencedor de diversos títulos pelo PSG e Real Madrid.
Bernardo Silva
Um dos principais jogadores da história recente do Manchester City e vencedor da Liga dos Campeões em 2023.
Fabinho
Posteriormente campeão da Premier League e da Liga dos Campeões pelo Liverpool.
Benjamin Mendy
Lateral que teve papel importante no Manchester City após a transferência.
Thomas Lemar
Campeão mundial com a França em 2018 e posteriormente jogador do Atlético de Madrid.
Tiémoué Bakayoko
Médio francês que chamou a atenção de grandes clubes europeus e se transferiu para o Chelsea.
Radamel Falcao
Veterano que recuperou o protagonismo e terminou a temporada como um dos principais goleadores do futebol europeu.
O preço do sucesso
O título de 2016/17 acabou por ser também o início de uma grande transformação no Monaco.
Os maiores clubes europeus começaram a atacar o plantel.
Bernardo Silva foi para o Manchester City.
Benjamin Mendy também seguiu para Inglaterra.
Bakayoko transferiu-se para o Chelsea.
E, principalmente, Kylian Mbappé deixou o Monaco para se juntar ao PSG.
Fabinho permaneceria por mais uma temporada antes de partir para o Liverpool.
O Monaco perdeu uma parte significativa da equipa campeã.
Era praticamente impossível manter aquele grupo unido.
O impacto da venda de Mbappé
A transferência de Mbappé para o PSG tornou-se um dos grandes negócios do futebol europeu.
O jogador foi inicialmente emprestado ao clube parisiense na temporada 2017/18, com obrigação de compra posteriormente executada.
O Monaco perdeu uma das maiores promessas do mundo, mas conseguiu uma enorme compensação financeira.
Para o futebol francês, a mudança também foi simbólica.
O mesmo PSG que havia sido ultrapassado pelo Monaco na Ligue 1 passou a contratar o principal jogador da equipa campeã.
O legado do Monaco 2016/17
A conquista de 2017 é lembrada por diversos motivos.
Foi o primeiro título francês do Monaco desde 1999/2000.
Foi também o fim de uma sequência de quatro títulos consecutivos do PSG.
Mas talvez o aspecto mais marcante seja a maneira como o clube conquistou o campeonato.
O Monaco não venceu apenas pela consistência.
Venceu jogando um futebol ofensivo, com jovens talentos e uma identidade extremamente clara.
Os 107 golos marcados continuam sendo uma das principais marcas daquela campanha.
E a presença nas semifinais da Liga dos Campeões transformou aquela temporada numa das melhores da história do clube.
Monaco 2016/17: uma temporada para a história
A temporada 2016/17 foi muito mais do que um campeonato francês.
Foi o nascimento de uma geração.
Foi a afirmação de Mbappé.
Foi o renascimento de Falcao.
Foi a consagração de Bernardo Silva.
Foi a confirmação do trabalho de Leonardo Jardim.
E foi a prova de que um projeto baseado em jovens talentos poderia desafiar os clubes mais ricos da Europa.
O Monaco terminou a Ligue 1 com 95 pontos e 107 golos, conquistou o campeonato pela primeira vez em 17 anos e chegou às semifinais da Liga dos Campeões.
Poucos meses depois, aquela equipa já não existia.
Os seus principais jogadores foram vendidos aos maiores clubes do continente.
Mas justamente por isso o Monaco de 2016/17 permanece tão especial.
Foi uma equipa que brilhou intensamente durante uma temporada e deixou uma marca permanente na história do futebol francês e europeu.
Até hoje, quando se fala nas grandes equipas da Ligue 1 do século XXI, o Monaco de Leonardo Jardim, Mbappé, Falcao e Bernardo Silva ocupa um lugar de destaque — a equipa que derrubou o domínio do PSG e conquistou um dos campeonatos mais memoráveis da história recente da França.
Por: Eduardo P. Silva