A fase a eliminar do Mundial de 2026 começa com um duelo histórico em Los Angeles, onde África do Sul e Canadá disputam uma vaga nos oitavos de final. Nenhuma das seleções havia alcançado esta fase da competição anteriormente, o que torna o confronto ainda mais especial para duas equipas que já escreveram páginas importantes nas respetivas histórias.
África do Sul quer prolongar o conto de fadas
Os Bafana Bafana chegam embalados por uma das maiores surpresas da fase de grupos. Depois da derrota por 2-0 frente ao México na estreia, poucos acreditavam que a equipa comandada por Hugo Broos conseguiria reagir. No entanto, os sul-africanos mostraram personalidade, recuperaram terreno e garantiram a qualificação graças a uma vitória decisiva por 1-0 sobre a Coreia do Sul.
Além da campanha histórica, o encontro terá um significado especial para Hugo Broos. Aos 74 anos, o treinador belga disputa o seu último grande torneio antes da reforma e pode tornar-se o técnico mais velho a vencer um jogo da fase a eliminar de um Mundial.
Apesar do entusiasmo, a África do Sul sabe que terá de melhorar ofensivamente. A equipa marcou apenas três golos nos últimos oito jogos e construiu a sua campanha através de uma organização defensiva sólida, com seis dos últimos sete encontros a terminarem com menos de 2,5 golos.
Canadá quer confirmar evolução
Do outro lado estará um Canadá que também vive um momento histórico. Os norte-americanos estiveram perto de terminar no topo do Grupo B, mas a derrota por 2-1 diante da Suíça na última jornada impediu esse objetivo.
Ainda assim, os comandados de Jesse Marsch deixaram uma excelente imagem na fase de grupos. Com oito golos marcados e 21 remates enquadrados, os canadianos demonstraram uma capacidade ofensiva que nunca tinham apresentado em Mundiais anteriores.
A derrota frente aos suíços encerrou uma sequência de dez jogos sem perder, mas não abalou a confiança de uma seleção que mistura juventude, velocidade e talento. Agora, o objetivo passa por alcançar os oitavos de final e continuar a melhor campanha da história do país na competição.
Equilíbrio e cautela devem marcar o duelo
Embora o Canadá entre em campo com ligeiro favoritismo devido à qualidade individual e ao rendimento ofensivo apresentado até aqui, a África do Sul já mostrou que sabe competir contra adversários teoricamente superiores.
Os números recentes apontam para uma partida equilibrada e de poucos golos. Dez dos últimos 13 jogos do Canadá terminaram com menos de 2,5 golos, enquanto a África do Sul tem apostado numa estratégia pragmática baseada na consistência defensiva.
Jogadores para ficar de olho
A esperança ofensiva sul-africana passa por Thapelo Maseko, autor do golo decisivo frente à Coreia do Sul. O atacante foi o jogador da equipa que mais rematou durante a fase de grupos e pode voltar a ser determinante.
Pelo lado canadiano, os holofotes recaem sobre Nathan Saliba, uma das revelações do torneio. O médio participou diretamente em três golos na fase de grupos, com um golo e duas assistências, assumindo um protagonismo inesperado.
O Canadá também aguarda pela recuperação física do capitão Alphonso Davies e do médio Stephen Eustáquio, duas peças fundamentais para as ambições da equipa.
O que esperar
A partida promete ser disputada e emocional, com duas seleções que já ultrapassaram as expectativas iniciais. A África do Sul aposta na disciplina tática e na força coletiva, enquanto o Canadá procura impor a sua maior qualidade ofensiva.
Com uma vaga nos oitavos de final em jogo, o nervosismo pode desempenhar um papel importante, tornando cada detalhe decisivo num confronto que garantirá mais um capítulo histórico para o vencedor.
Por: Eduardo P. Silva