O Brasil entra em campo em Houston para um dos confrontos mais aguardados dos oitavos de final do Mundial 2026. Pela frente estará um Japão que chega invicto à fase a eliminar e determinado a quebrar uma barreira histórica: conquistar a sua primeira vitória em jogos de mata-mata na Copa do Mundo.
Brasil cresce na hora certa
Depois de um início pouco convincente na competição, a Seleção Brasileira mostrou evolução clara ao longo da fase de grupos. As vitórias por 3-0 sobre Haiti e Escócia garantiram a liderança do Grupo C e devolveram confiança a uma equipa que procura voltar ao topo do futebol mundial.
Sob o comando de Carlo Ancelotti, o Brasil soma sete golos marcados e nenhum sofrido desde a estreia, alcançando a sua melhor sequência defensiva em Mundiais desde a campanha vitoriosa de 2002.
Apesar do favoritismo, os brasileiros sabem que não podem relaxar. As recentes eliminações em fases decisivas continuam presentes na memória dos adeptos, já que o Brasil caiu em quatro dos últimos seis jogos a eliminar disputados em Mundiais.
Japão quer escrever história
Os Samurai Azuis chegam embalados por uma campanha sólida na fase de grupos. Sem perder nenhum dos três jogos, os japoneses demonstraram organização, disciplina tática e uma defesa extremamente consistente.
O empate diante da Suécia impediu o Japão de terminar no topo do Grupo F, mas não diminuiu a confiança de uma equipa que se tornou uma das seleções mais respeitadas fora do círculo tradicional de favoritos.
O grande desafio será ultrapassar um obstáculo que acompanha a seleção há décadas: o Japão nunca venceu uma partida de mata-mata em Campeonatos do Mundo, acumulando quatro eliminações nesta fase.
Marquinhos pede atenção máxima
Na véspera do encontro, Marquinhos deixou claro que a equipa brasileira encara o adversário com total respeito.
O experiente defesa destacou a evolução do Brasil desde a derrota sofrida diante dos japoneses num amigável realizado em outubro e garantiu que os jogadores estudaram cuidadosamente as características da equipa asiática.
Para o capitão brasileiro, a fase de grupos ficou para trás e começa agora um “novo torneio”, onde os detalhes podem decidir quem continua vivo na luta pelo título.
Histórico favorece amplamente o Brasil
Os números mostram uma vantagem clara da Seleção Brasileira no confronto direto.
Em 14 encontros entre as duas seleções, o Brasil venceu 11 vezes, empatou duas e perdeu apenas uma. Curiosamente, essa derrota aconteceu justamente no duelo mais recente, quando o Japão venceu por 3-2 em outubro.
Em Mundiais, as equipas encontraram-se apenas uma vez, com vitória brasileira por 4-1 na fase de grupos da edição de 2006.
Jogadores para decidir
Vinícius Júnior é uma das grandes esperanças brasileiras. Com quatro golos no torneio, o atacante do Real Madrid pode tornar-se o primeiro brasileiro desde Ronaldo e Rivaldo, em 2002, a marcar nos quatro primeiros jogos de uma mesma Copa do Mundo.
Do lado japonês, Ayase Ueda e Daichi Kamada chegam inspirados. Ambos somam dois golos na competição e procuram tornar-se os primeiros jogadores asiáticos a atingir a marca de três golos numa única edição do Mundial.
A ausência mais sentida para o Brasil será Raphinha, enquanto o Japão dificilmente contará com Takefusa Kubo, que continua a recuperar de problemas físicos.
O que esperar do confronto
O favoritismo está naturalmente do lado brasileiro, graças à qualidade individual, experiência em fases decisivas e ao crescimento demonstrado durante a competição.
No entanto, o Japão já provou diversas vezes que sabe complicar a vida dos grandes favoritos. Organizados defensivamente e perigosos nos contra-ataques, os asiáticos tentarão explorar qualquer espaço deixado pelos brasileiros.
Tudo indica que será um jogo intenso e tecnicamente muito interessante, colocando frente a frente o talento ofensivo do Brasil e a disciplina coletiva do Japão. Com uma vaga nos oitavos de final em jogo, a margem para erros será mínima e qualquer detalhe poderá definir quem continua a sonhar com o título mundial.
Por: Eduardo P. Silva