Corinthians campeão da Libertadores 2012: a campanha invicta que finalmente colocou o Timão no topo da América


O dia em que o Corinthians conquistou a América

Durante décadas, a Libertadores foi uma obsessão para o torcedor do Corinthians.

O clube chegou a disputar grandes competições continentais, revelou gerações históricas e conquistou títulos nacionais importantes, mas a principal taça da América insistia em escapar.

Em 4 de julho de 2012, porém, a história mudou.

Diante de um Pacaembu lotado, o Corinthians venceu o Boca Juniors por 2 a 0, com dois gols de Emerson Sheik, e conquistou pela primeira vez a Copa Libertadores.

E não foi apenas uma conquista inédita.

O Corinthians terminou a competição invicto, com oito vitórias e seis empates, sofreu somente quatro gols em 14 partidas e transformou a organização defensiva, a força coletiva e a capacidade de decisão em suas principais armas.

Aquele time comandado por Tite entrou definitivamente para a história do clube.


Um título que começou a ser construído antes de 2012

Para entender a conquista, é preciso voltar alguns meses.

Em 2011, o Corinthians havia sido eliminado pelo Deportes Tolima, da Colômbia, ainda na fase preliminar da Libertadores.

A eliminação provocou uma enorme crise.

Tite chegou a ser questionado, mas a diretoria decidiu mantê-lo.

A escolha acabou sendo fundamental.

O treinador conseguiu montar uma equipe extremamente organizada, competitiva e difícil de ser derrotada.

Em 2012, o Corinthians não tinha necessariamente o elenco mais badalado da América. Não havia um grande astro internacional como Riquelme no Boca ou Neymar no Santos.

O diferencial era justamente o coletivo.

Cássio, Alessandro, Chicão, Leandro Castán, Fábio Santos, Ralf, Paulinho, Danilo, Alex, Jorge Henrique e Emerson Sheik formavam a base de um time que sabia exatamente o que fazer em campo.


A fase de grupos: o Corinthians começa a mostrar sua força

O Corinthians caiu no Grupo 6, ao lado de:

  • Deportivo Táchira, da Venezuela;
  • Nacional, do Paraguai;
  • Cruz Azul, do México.

A estreia aconteceu fora de casa, contra o Deportivo Táchira.

O jogo parecia caminhar para uma derrota, mas o Timão encontrou o empate no último lance.

Deportivo Táchira 1 x 1 Corinthians

Ralf, de cabeça, marcou o gol corintiano.

Aquele ponto conquistado fora de casa acabaria sendo importante para uma campanha que terminaria sem derrotas.

Depois, o Corinthians começou a engrenar.

Corinthians 2 x 0 Nacional-PAR

Na primeira partida diante da torcida, o Timão venceu com autoridade.

Depois veio um empate sem gols contra o Cruz Azul, no México.

Cruz Azul 0 x 0 Corinthians

Na volta, no Pacaembu, nova vitória:

Corinthians 1 x 0 Cruz Azul

O time já demonstrava sua principal característica: podia não produzir goleadas constantemente, mas era extremamente difícil de ser vazado.

Na quinta rodada, o Corinthians foi ao Paraguai e venceu o Nacional por 3 a 1.

A classificação já estava praticamente encaminhada.

Na última rodada, veio a maior goleada da campanha na fase de grupos:

Corinthians 6 x 0 Deportivo Táchira

O resultado confirmou a liderança do grupo.

O Timão avançava para o mata-mata invicto.


Oitavas de final: Emelec coloca o Corinthians à prova

O primeiro adversário no mata-mata foi o Emelec, do Equador.

Na primeira partida, fora de casa, o Corinthians conseguiu um empate sem gols.

Emelec 0 x 0 Corinthians

Era exatamente o tipo de resultado que representava aquele time.

Sem sofrer gols fora de casa, o Timão voltou para São Paulo sabendo que uma vitória simples seria suficiente.

No Pacaembu, não houve espaço para drama.

Corinthians 3 x 0 Emelec

A vitória colocou o Corinthians nas quartas de final.

Mas o próximo adversário seria muito mais complicado.


Quartas de final: a batalha contra o Vasco

O Vasco da Gama estava entre os grandes favoritos ao título.

O primeiro confronto aconteceu no Rio de Janeiro.

Vasco 0 x 0 Corinthians

Mais uma vez, Cássio e a defesa corintiana conseguiram segurar o adversário.

O empate deixou tudo para o Pacaembu.

E foi justamente ali que aconteceu um dos momentos mais marcantes da campanha.


Cássio vira herói contra Diego Souza

O Corinthians vencia por 1 a 0, mas o Vasco teve uma oportunidade claríssima.

Diego Souza recebeu livre, avançou em direção ao gol e ficou cara a cara com Cássio.

Parecia gol certo.

Mas o goleiro corintiano cresceu diante do atacante e fez uma defesa espetacular.

A intervenção mudou o rumo da eliminatória.

No fim:

Corinthians 1 x 0 Vasco

O Timão estava na semifinal.

Aquela defesa de Cássio se transformaria em uma das imagens mais lembradas da campanha.


Semifinal: o Corinthians elimina o atual campeão

O adversário seguinte era ninguém menos que o Santos, atual campeão da Libertadores.

O time de Neymar e Paulo Henrique Ganso havia conquistado a competição no ano anterior.

Era, portanto, um duelo de gigantes brasileiros.

No primeiro jogo, na Vila Belmiro, o Corinthians conseguiu uma vitória enorme:

Santos 0 x 1 Corinthians

O gol foi marcado por Emerson Sheik.

O Timão voltava para São Paulo com uma vantagem preciosa.

Na partida de volta, o Santos saiu na frente.

Neymar marcou e recolocou o Peixe na disputa.

Mas o Corinthians não perdeu o controle.

Corinthians 1 x 1 Santos

O empate foi suficiente.

O Corinthians eliminava o atual campeão e chegava à primeira final de Libertadores de sua história.


A final contra o Boca Juniors

Na decisão, o adversário seria o Boca Juniors.

Era um dos maiores clubes da história da Libertadores.

Os argentinos já haviam conquistado seis títulos continentais e tinham em Juan Román Riquelme seu grande símbolo.

Para o Corinthians, era a última barreira.

E a primeira partida seria em um dos estádios mais intimidadores da América:

La Bombonera.


Boca Juniors 1 x 1 Corinthians: Romarinho entra para a história

O Boca Juniors abriu o placar na Argentina.

O Corinthians precisava reagir.

Foi então que Tite colocou em campo um jovem atacante que havia acabado de chegar ao clube.

Romarinho.

Aos 40 minutos do segundo tempo, praticamente em seu primeiro toque na bola, o atacante recebeu passe de Emerson e tocou por cobertura na saída do goleiro Orión.

Boca Juniors 1 x 1 Corinthians

O gol silenciou a Bombonera.

Romarinho havia acabado de se transformar em personagem de uma das maiores histórias da Libertadores.

O empate deixou a decisão completamente aberta.

O Corinthians precisava apenas vencer em casa para conquistar o título.


4 de julho de 2012: a noite inesquecível no Pacaembu

O Pacaembu estava lotado.

Do outro lado estava um Boca Juniors acostumado a decisões continentais.

Mas naquela noite o Corinthians não deixaria a oportunidade escapar.

O primeiro tempo terminou sem gols.

A tensão era enorme.

Até que, aos oito minutos da segunda etapa, apareceu o grande herói da noite.


Emerson Sheik abre o caminho

Danilo recebeu a bola e deu um toque genial de calcanhar.

Emerson Sheik apareceu livre.

O atacante dominou e bateu para vencer Orión.

Corinthians 1 x 0 Boca Juniors

O Pacaembu explodiu.

O Corinthians estava a 37 minutos de conquistar a América.

Mas ainda faltava mais.


Sheik novamente: o gol do título

Aos 26 minutos do segundo tempo, Emerson recebeu a bola, avançou e aproveitou um erro da defesa argentina.

Com categoria, colocou a bola no fundo da rede.

Corinthians 2 x 0 Boca Juniors.

O segundo gol praticamente decretou o título.

O Boca ainda tentou reagir, mas encontrou um Corinthians extremamente organizado.

Cássio não foi obrigado a realizar outra defesa milagrosa.

A defesa funcionou.

O relógio correu.

E então veio o apito final.


CORINTHIANS CAMPEÃO DA LIBERTADORES 2012

Corinthians 2 x 0 Boca Juniors.

Depois de décadas de espera, o Timão finalmente era campeão da América.

E de maneira invicta.

A conquista encerrou uma das maiores obsessões da história do clube. O Corinthians terminou a competição com 14 jogos, oito vitórias, seis empates, 21 gols marcados e apenas quatro sofridos.


Emerson Sheik: o herói da final

Se Cássio foi o grande personagem das quartas de final e Romarinho foi o herói da Bombonera, Emerson Sheik foi o dono da decisão.

Os dois gols contra o Boca colocaram seu nome definitivamente na história do Corinthians.

Sheik terminou a Libertadores de 2012 como artilheiro do Timão, com cinco gols.

O segundo lugar ficou com Danilo, com quatro gols.

Artilheiros do Corinthians na Libertadores 2012

JogadorGols
Emerson Sheik5
Danilo4
Paulinho3
Jorge Henrique3
Elton1
Liedson1
Douglas1
Fábio Santos1
Alex1
Romarinho1

Dez jogadores diferentes marcaram pelo Corinthians durante a campanha, mostrando como o título foi construído coletivamente.


Cássio: de reserva a herói continental

Um dos personagens mais interessantes da campanha foi Cássio.

O goleiro começou 2012 como uma opção que não estava necessariamente destinada ao protagonismo.

Mas ganhou espaço justamente durante a Libertadores.

Quando assumiu a titularidade, não saiu mais.

E sua participação foi decisiva.

A defesa contra Diego Souza, nas quartas de final contra o Vasco, tornou-se um dos momentos mais importantes da conquista.

Na final contra o Boca, Cássio voltou a mostrar segurança.

Ao longo de toda a Libertadores, o Corinthians sofreu somente quatro gols.

A defesa havia sido a grande arma do campeão.


Paulinho: o motor do meio-campo

Outro jogador fundamental foi Paulinho.

O volante era responsável por dar intensidade ao meio-campo e aparecia tanto na marcação quanto na chegada ao ataque.

Terminou a competição com três gols.

Ao lado de Ralf, formou uma das duplas de meio-campo mais importantes da história recente do clube.

O Corinthians não precisava dominar todos os jogos pela posse de bola.

Precisava controlar os espaços.

E Paulinho era essencial para isso.


Danilo: o jogador dos grandes momentos

Danilo não era um jogador de números espetaculares, mas tinha uma característica especial: aparecia quando o Corinthians mais precisava.

Foram quatro gols na Libertadores.

Além disso, participou diretamente do primeiro gol de Emerson na final, ao dar o famoso toque de calcanhar que deixou Sheik em condições de marcar.

Sua experiência também foi fundamental para uma equipe que precisava lidar com a pressão de jogos eliminatórios.


Romarinho: o herói inesperado

Poucos dias antes da final, Romarinho ainda era praticamente um desconhecido para grande parte do continente.

Na Bombonera, tudo mudou.

Entrou no segundo tempo e, em seu primeiro toque na bola, marcou o gol de empate.

O resultado foi fundamental para o Corinthians.

Mais do que isso, criou uma das imagens mais marcantes da história das finais da Libertadores.

Romarinho havia chegado ao clube sem a responsabilidade de ser protagonista.

Terminou a competição como campeão e autor de um gol inesquecível.


Tite: o treinador que transformou a derrota em aprendizado

É impossível contar a história da Libertadores de 2012 sem falar de Tite.

O treinador havia sido mantido no cargo mesmo depois do desastre contra o Tolima em 2011.

A decisão foi questionada.

Um ano depois, Tite era campeão da América.

Sua principal virtude foi construir uma equipe com uma identidade muito clara.

O Corinthians sabia defender.

Sabia pressionar.

Sabia sofrer.

E, principalmente, sabia competir.

A campanha teve somente quatro gols sofridos em 14 partidas, uma média de aproximadamente 0,29 gol por jogo.

O ataque não era o mais poderoso do torneio, mas o equilíbrio fazia toda a diferença.


As grandes surpresas da campanha

Cássio

Assumiu o gol e se tornou protagonista justamente na fase mais importante.

Romarinho

Saiu do banco na Bombonera e marcou no primeiro toque na bola.

A força defensiva

O Corinthians terminou a competição sofrendo apenas quatro gols.

O equilíbrio do elenco

Dez jogadores diferentes marcaram gols durante a campanha.


As decepções e dificuldades

Uma campanha perfeita em termos de resultado não significa que tudo tenha sido fácil.

O Corinthians teve problemas ao longo da temporada.

Adriano

O atacante era uma das grandes apostas do clube, mas não conseguiu ter o protagonismo esperado.

Problemas físicos e dificuldades para encontrar espaço fizeram com que sua participação na campanha fosse praticamente inexistente.

O ataque

O Corinthians marcou 21 gols em 14 partidas, número modesto para um campeão.

A equipe compensava a produção ofensiva com uma defesa extremamente forte.

A pressão pelo primeiro título

Cada partida eliminatória carregava um peso enorme.

A torcida não queria apenas uma boa campanha.

Queria a taça.

E isso tornava cada erro potencialmente decisivo.


A campanha completa do Corinthians na Libertadores 2012

FaseJogoResultado
GruposDeportivo Táchira x Corinthians1–1
GruposCorinthians x Nacional-PAR2–0
GruposCruz Azul x Corinthians0–0
GruposCorinthians x Cruz Azul1–0
GruposNacional-PAR x Corinthians1–3
GruposCorinthians x Deportivo Táchira6–0
OitavasEmelec x Corinthians0–0
OitavasCorinthians x Emelec3–0
QuartasVasco x Corinthians0–0
QuartasCorinthians x Vasco1–0
SemifinalSantos x Corinthians0–1
SemifinalCorinthians x Santos1–1
FinalBoca Juniors x Corinthians1–1
FinalCorinthians x Boca Juniors2–0

Total: 14 jogos, 8 vitórias, 6 empates e nenhuma derrota.


O Corinthians foi campeão invicto

A campanha tem um detalhe que aumenta ainda mais sua importância.

O Corinthians não perdeu nenhuma partida.

Foram:

  • 14 jogos
  • 8 vitórias
  • 6 empates
  • 21 gols marcados
  • 4 gols sofridos
  • 10 jogadores diferentes marcando
  • 1 título inédito

O desempenho defensivo foi extraordinário e ajudou o Timão a conquistar a competição com uma das campanhas mais consistentes de sua história.


E o que aconteceu depois?

O título da Libertadores não foi o fim daquela história.

No final de 2012, o Corinthians viajou ao Japão para disputar o Mundial de Clubes da FIFA.

Depois de vencer o Al Ahly na semifinal, o Timão enfrentou o Chelsea na decisão.

E venceu por 1 a 0, com gol de Paolo Guerrero.

Assim, em apenas alguns meses, o Corinthians saiu de uma das maiores obsessões de sua história para conquistar também o mundo.

Mas tudo começou naquela noite de 4 de julho de 2012.


O legado do título de 2012

O Corinthians de 2012 não entrou para a história por apresentar o futebol mais ofensivo ou mais bonito da competição.

Entrou porque era extremamente competitivo.

Era um time que raramente se desorganizava.

Quando precisava atacar, atacava.

Quando precisava sofrer, sofria.

Quando precisava de um herói, ele aparecia.

Foi Cássio contra Diego Souza.

Foi Romarinho na Bombonera.

Foi Emerson Sheik contra o Boca.

Foi Danilo com sua experiência.

Foi Paulinho no meio-campo.

Foi Ralf protegendo a defesa.

Foi Leandro Castán e Chicão formando uma dupla sólida.

E foi Tite comandando tudo.


Uma Libertadores que mudou a história do Corinthians

A conquista de 2012 representa muito mais do que o primeiro título continental do Corinthians.

Ela encerrou décadas de provocações, transformou jogadores em ídolos e consolidou uma geração que, meses depois, ainda conquistaria o Mundial.

O Corinthians finalmente tinha a sua Libertadores.

E conseguiu isso da maneira mais simbólica possível: invicto, diante de sua torcida e contra um dos maiores clubes da história da competição.

Naquela noite de 4 de julho, Emerson Sheik marcou duas vezes, Cássio levantou a taça e a Fiel finalmente pôde dizer:

O Corinthians é campeão da América.

E talvez a melhor síntese daquela campanha seja justamente o contraste com o fracasso de 2011: um ano depois de ser eliminado pelo Tolima na fase preliminar, o Corinthians não apenas voltou à Libertadores — conquistou o torneio inteiro sem perder uma única partida.

Por: Eduardo P. Silva