O Grupo J reserva uma das partidas mais equilibradas da última jornada do Mundial-2026. Argélia e Áustria entram em campo em Kansas City ainda com hipóteses reais de qualificação e sabendo que um bom resultado poderá garantir presença nos 16 avos de final da competição.
Com apenas um ponto e alguns detalhes a separarem as duas seleções, espera-se um confronto tático, intenso e marcado pela enorme pressão do momento.
Argélia vive momento de confiança
Depois de um início complicado, a Argélia recuperou-se na competição ao conquistar uma importante vitória por 2-1 sobre a Jordânia. O triunfo de virada manteve os Guerreiros do Deserto vivos na luta pela qualificação e devolveu confiança a uma equipa que não vencia um jogo de Mundial há 12 anos.
A seleção comandada por Djamel Belmadi chega embalada por uma excelente sequência recente, tendo vencido oito dos seus últimos 11 compromissos internacionais.
Além disso, os argelinos sabem que um empate poderá ser suficiente para avançar, dependendo dos restantes resultados do grupo, embora uma vitória elimine praticamente qualquer dúvida.
Outro fator positivo é a consistência defensiva. Em sete das últimas nove vitórias da Argélia, a equipa não sofreu qualquer golo.
Áustria quer voltar às fases eliminatórias
A Áustria chega a esta última jornada ocupando posição ligeiramente superior na tabela graças à diferença de golos, mas a derrota por 2-0 diante da Argentina impediu a qualificação antecipada.
A equipa de Ralf Rangnick continua a apresentar um dos projetos mais sólidos do futebol europeu e venceu dez dos últimos 13 jogos disputados.
Apesar do revés frente aos argentinos, os austríacos mantêm intacta a esperança de regressar às fases eliminatórias de um Mundial pela primeira vez desde 1954, quando alcançaram um histórico terceiro lugar.
O estilo agressivo e ofensivo implementado por Rangnick dificilmente será abandonado, mesmo num jogo em que o empate pode beneficiar ambas as equipas.
Histórico favorece os austríacos
O único confronto oficial entre as duas seleções aconteceu no Mundial de 1982.
Na ocasião, a Áustria venceu por 2-0, resultado que também representa a última vez que os austríacos conseguiram manter a baliza inviolada numa partida de Campeonato do Mundo.
Embora seja um dado curioso, o contexto atual é completamente diferente, com duas equipas bastante equilibradas e em bom momento competitivo.
Jogadores para observar
O principal nome da Argélia é Amine Gouiri. O avançado foi decisivo na vitória sobre a Jordânia e possui uma estatística impressionante: a Argélia venceu todos os nove jogos em que ele marcou pela seleção.
Caso Mohamed Amoura recupere totalmente dos problemas físicos que o afastaram do último encontro, poderá oferecer ainda mais opções ofensivas aos norte-africanos.
Pela Áustria, Romano Schmid surge como um dos jogadores mais influentes. Autor de um golo na estreia, o médio costuma aparecer nos momentos iniciais das partidas, já que todos os seus golos pela seleção aconteceram antes dos 60 minutos.
O que esperar do jogo?
Apesar da importância do encontro, a tendência é para um duelo bastante cauteloso.
As duas equipas sabem que uma derrota pode ser fatal, enquanto um empate poderá manter vivas as hipóteses de qualificação. Por isso, os treinadores deverão privilegiar organização defensiva e controlo emocional.
A Argélia costuma crescer na segunda parte dos jogos, tendo marcado dez dos seus últimos 11 golos após o intervalo. Já a Áustria apresenta números recentes de partidas equilibradas, com poucos golos e margens mínimas.
Tudo indica que os detalhes poderão fazer a diferença
O equilíbrio entre as equipas é evidente. A Argélia atravessa um excelente momento de confiança, enquanto a Áustria possui maior experiência recente em competições de alto nível.
Com ambas conscientes da importância de evitar erros, o cenário mais provável aponta para um jogo fechado e decidido nos pormenores.
Palpite: Argélia 1-1 Áustria
Um empate parece um resultado bastante plausível num confronto onde o medo de perder poderá ser tão importante quanto a vontade de vencer, mantendo ambas as seleções na corrida pela qualificação para a fase a eliminar do Mundial-2026.
Por: Eduardo P. Silva