Os olhos do Grupo E estarão voltados para o AT&T Stadium, em Arlington, onde duas seleções acostumadas a protagonizar grandes histórias em Copas do Mundo iniciam suas campanhas no Mundial de 2026. De um lado, os Países Baixos, tricampeões de vice-campeonatos mundiais e donos de uma das camisas mais respeitadas do futebol internacional. Do outro, o Japão, que chega embalado por excelentes resultados e disposto a provar que já pode competir de igual para igual com qualquer potência.

A seleção neerlandesa inicia mais uma tentativa de conquistar um título mundial inédito. Sob o comando de Ronald Koeman, a equipe realizou uma campanha sólida nas eliminatórias, permanecendo invicta com seis vitórias e dois empates. O ataque chamou atenção ao marcar 27 gols, enquanto a defesa sofreu apenas quatro.

Além da boa fase, a história também joga a favor da Laranja Mecânica. Os holandeses não perdem uma estreia de Copa do Mundo desde 1938 e acumulam uma impressionante sequência de 16 partidas sem derrotas na fase de grupos do torneio, com 12 vitórias e quatro empates desde 1994.

A equipe também está próxima de uma marca histórica. Faltam apenas quatro gols para que os Países Baixos alcancem a expressiva marca de 100 gols marcados em fases finais de Mundiais.

Mas se existe uma seleção capaz de desafiar o favoritismo europeu, essa equipe pode ser o Japão. Os Samurais Azuis chegam ao Mundial em excelente momento, após vencerem seus últimos seis amistosos internacionais. Entre os resultados mais impressionantes estão os triunfos sobre Brasil, por 3 a 2, e Inglaterra, por 1 a 0.

A seleção japonesa disputará sua oitava Copa do Mundo consecutiva e sonha finalmente superar a barreira das oitavas de final, algo que nunca conseguiu alcançar. A confiança aumentou ainda mais após a campanha de 2022, quando derrotou Alemanha e Espanha na fase de grupos e não perdeu para nenhuma seleção europeia no tempo regulamentar.

O histórico do confronto favorece os neerlandeses. Em três encontros anteriores, os Países Baixos venceram duas vezes e empataram uma. O duelo mais lembrado aconteceu na Copa do Mundo de 2010, quando um gol de Wesley Sneijder garantiu a vitória holandesa por 1 a 0 na fase de grupos.

Entre os destaques da equipe de Koeman está Memphis Depay. Maior referência ofensiva da seleção, o atacante foi o principal nome das eliminatórias, contribuindo com oito gols e quatro assistências. Além disso, já marcou três vezes em fases finais de Copa do Mundo.

Pelo lado japonês, Ayase Ueda chega como principal esperança de gols. O atacante participou diretamente de dez gols durante a campanha classificatória, com oito gols marcados e duas assistências, consolidando-se como uma das peças mais importantes da equipe.

As ausências podem influenciar o equilíbrio da partida. Os Países Baixos perderam o defensor Jurriën Timber por lesão e ainda convivem com dúvidas sobre a condição física do goleiro Bart Verbruggen. Já o Japão não contará mais com o experiente capitão Wataru Endo, que anunciou sua aposentadoria da seleção.

A expectativa é de um confronto bastante equilibrado. Os Países Baixos possuem maior tradição, qualidade técnica e experiência em grandes torneios, mas o Japão chega embalado por resultados expressivos e pela confiança adquirida após derrubar gigantes europeus nos últimos anos.

Se a seleção de Koeman busca confirmar seu favoritismo, os Samurais Azuis querem mostrar que já não são apenas uma surpresa do futebol mundial. Tudo indica que este poderá ser um dos jogos mais interessantes e imprevisíveis da rodada de abertura do Grupo E.

Por: Eduardo P. Silva