Portugal iniciou a sua caminhada no Mundial de 2026 com um inesperado empate por 1-1 diante da RD Congo, no NRG Stadium, em Houston. Apesar do domínio esmagador da posse de bola e do controlo territorial durante praticamente todo o encontro, a equipa de Roberto Martínez revelou enormes dificuldades para transformar superioridade em oportunidades reais, permitindo que os africanos conquistassem um ponto histórico.
João Neves colocou Portugal na frente
O encontro não poderia ter começado melhor para a seleção portuguesa. Logo aos seis minutos, João Neves apareceu na área para corresponder a um cruzamento vindo da esquerda e cabecear para o fundo das redes, colocando Portugal em vantagem muito cedo.
O golo parecia abrir caminho para uma exibição tranquila dos lusos, que monopolizaram a posse de bola e empurraram a RD Congo para junto da sua área durante largos períodos da primeira parte.
Contudo, apesar dos mais de 75% de posse de bola, Portugal mostrava-se incapaz de criar ocasiões claras de golo. Cristiano Ronaldo tentava assumir protagonismo, Bruno Fernandes procurava acelerar o jogo e Bernardo Silva movimentava-se entre linhas, mas a muralha congolesa resistia sem grandes sobressaltos.
Wissa faz história para os congoleses
Quando tudo indicava que Portugal iria para o intervalo em vantagem, surgiu o momento histórico da seleção africana.
Já nos descontos da primeira parte, um pontapé de canto encontrou Yoane Wissa completamente solto na área. O avançado não desperdiçou e cabeceou para o empate, marcando o primeiro golo da história da RD Congo em Campeonatos do Mundo.
O golo mudou completamente o estado emocional da partida. Os congoleses ganharam confiança, enquanto Portugal começou a demonstrar ansiedade perante um resultado inesperado.
Domínio sem eficácia
A segunda parte manteve o mesmo cenário. Portugal teve a bola, circulou, atacou e procurou espaços, mas continuou sem conseguir criar situações verdadeiramente perigosas.
O momento mais emocionante surgiu aos 54 minutos, quando João Cancelo executou uma espetacular bicicleta para marcar aquele que poderia ser um dos golos do torneio. No entanto, a festa portuguesa durou pouco, já que o VAR confirmou uma posição irregular na construção da jogada.
A partir daí, a equipa portuguesa insistiu até ao apito final, mas esbarrou constantemente na organização defensiva africana.
Os números ilustram bem a frustração portuguesa: 783 passes certos, mais de uma centena de entradas no último terço e 29 toques na área adversária, mas nenhuma oportunidade flagrante criada durante os 90 minutos.
Congo celebra ponto histórico
Para a RD Congo, o empate teve sabor de vitória. A equipa de Sébastien Desabre mostrou enorme disciplina tática, resistiu à pressão portuguesa e aproveitou uma das raras oportunidades para marcar.
No final, o selecionador francês destacou a concentração dos seus jogadores e a execução perfeita do plano de jogo, enquanto Yoane Wissa celebrou um resultado que ficará para sempre na história do futebol congolês.
Com apenas oito remates durante todo o encontro, os Leopardos conseguiram ser mais eficazes do que uma seleção portuguesa recheada de estrelas.
Alarme ligado para Portugal
O empate deixa Portugal sob pressão logo na primeira jornada do Grupo K. Embora o resultado não comprometa a qualificação, a exibição ofensiva levantou dúvidas sobre a capacidade da equipa para confirmar o estatuto de candidata ao título.
Roberto Martínez reconheceu que a equipa perdeu profundidade após o golo inicial e admitiu que há muito para corrigir antes do próximo compromisso.
Se os números de posse e controlo foram impressionantes, o dado mais preocupante da noite foi outro: zero oportunidades claras criadas diante de uma seleção que, teoricamente, estava vários níveis abaixo dos portugueses.
Num Mundial onde os detalhes fazem a diferença, Portugal saiu de Houston com um ponto, mas também com muitas perguntas para responder.
Resultado Final
Portugal 1-1 RD Congo
Golos:
- João Neves, 6′
- Yoane Wissa, 45+1′
Homem do Jogo
Yoane Wissa – Autor do histórico primeiro golo da RD Congo em Mundiais e peça fundamental na resistência africana diante da pressão portuguesa.
Por: Eduardo P. Silva