A República Democrática do Congo mostrou personalidade, poder de reação e eficiência na segunda parte para derrotar o Uzbequistão por 3-1, garantindo uma vaga nos 16 avos de final do Mundial de 2026. Depois de sair atrás no marcador, os africanos protagonizaram uma reviravolta convincente e agora terão pela frente a poderosa Inglaterra na próxima fase.
Início complicado para os congoleses
O encontro começou de forma intensa e o Uzbequistão demonstrou desde cedo que não estava disposto a facilitar. Logo nos primeiros minutos, Lionel Mpasi precisou de trabalhar para evitar o primeiro golo asiático, mas a pressão acabou por surtir efeito aos 10 minutos.
Akmal Mozgovoy encontrou Eldor Shomurodov dentro da área e o capitão uzbeque não desperdiçou, finalizando com categoria para colocar a sua equipa em vantagem.
A RD Congo reagiu rapidamente e chegou mesmo ao empate aos 17 minutos através de Nathanael Mbuku, mas o lance foi posteriormente anulado após intervenção do VAR por uma infração na jogada.
Apesar da desilusão, os congoleses continuaram a pressionar, mas encontraram dificuldades para ultrapassar uma defesa uzbeque bem organizada durante grande parte da primeira parte.
Mudanças transformam o jogo
A segunda parte trouxe uma RD Congo muito mais agressiva. O selecionador promoveu alterações importantes, com a entrada de Fiston Mayele e, mais tarde, de Meschack Elia e Theo Bongonda, mudanças que acabaram por ser decisivas.
O empate surgiu aos 68 minutos. Após falta de Abdukodir Khusanov dentro da área, o árbitro assinalou grande penalidade. Yoane Wissa assumiu a responsabilidade e bateu Abduvakhid Nematov com um remate certeiro para o canto inferior direito.
O golo deu confiança aos africanos, que passaram a controlar as ações ofensivas da partida.
Virada em poucos minutos
Quando o encontro parecia encaminhar-se para um empate, a RD Congo encontrou o caminho da vitória.
Aos 78 minutos, Meschack Elia protagonizou uma boa jogada ofensiva e viu o seu remate desviar em Fiston Mayele antes de entrar na baliza, enganando completamente o guarda-redes uzbeque e consumando a reviravolta.
O Uzbequistão tentou responder, mas acabou por deixar espaços na defesa. Já nos descontos, Elia voltou a ser protagonista ao servir Yoane Wissa, que finalizou com classe para fechar o marcador em 3-1 e confirmar a festa congolesa.
Wissa e Elia lideram a classificação
Os dois grandes nomes da partida foram Yoane Wissa e Meschack Elia. O avançado do Newcastle marcou dois golos e foi decisivo nos momentos mais importantes da partida, enquanto Elia entrou na segunda parte para mudar completamente a dinâmica ofensiva da equipa, participando diretamente nos dois últimos golos.
A dupla foi fundamental para uma das maiores conquistas recentes do futebol congolês.
Próximo desafio: Inglaterra
Com a vitória, a RD Congo termina a fase de grupos em alta e garante presença nos 16 avos de final, onde enfrentará a Inglaterra. A tarefa será muito mais complicada diante dos comandados de Thomas Tuchel, mas os congoleses chegam embalados por uma atuação de grande caráter e confiança.
Já o Uzbequistão despede-se do torneio após uma campanha competitiva, mas marcada pela incapacidade de segurar a vantagem num jogo que tinha sob controlo durante boa parte do tempo.
A RD Congo segue viva no Mundial e sonha em continuar a surpreender, enquanto Wissa e companhia já provaram que nunca podem ser descartados antes do apito final.
Por: Eduardo P. Silva