Tricolor encerrou jejum internacional com campanha histórica e conquistou a Sul-Americana de forma invicta
O ano de 2012 entrou para a história do São Paulo Futebol Clube. Depois de uma temporada marcada por altos e baixos, o Tricolor encontrou na Copa Sul-Americana o caminho para voltar a levantar um troféu internacional.
Com Rogério Ceni como capitão, Lucas Moura como principal destaque ofensivo e Ney Franco no comando técnico, o São Paulo conquistou a competição de maneira invicta e encerrou um jejum de quatro anos sem títulos.
A conquista também ganhou um significado especial por representar o primeiro título internacional do clube desde o Mundial de Clubes de 2005.
Uma temporada de reconstrução no Morumbi
O São Paulo começou 2012 com a expectativa de voltar a disputar títulos importantes depois de alguns anos de resultados abaixo do esperado.
A equipe ainda contava com uma das maiores referências da história do clube, Rogério Ceni, além de jogadores como Luís Fabiano, Jadson, Lucas Moura, Osvaldo e Wellington.
Durante a temporada, porém, o Tricolor passou por mudanças importantes.
Paulo César Carpegiani iniciou o ano como treinador, mas deixou o cargo após resultados irregulares. Emerson Leão assumiu posteriormente, mas também não permaneceu até o fim da temporada.
Foi então que Ney Franco chegou ao clube em julho e conseguiu organizar uma equipe competitiva, especialmente no segundo semestre.
A Copa Sul-Americana acabou se tornando a grande oportunidade para o São Paulo salvar a temporada.
A campanha do São Paulo na Sul-Americana
O Tricolor começou sua trajetória na competição contra o Bahia, na segunda fase.
No primeiro jogo, realizado em Salvador, o São Paulo venceu por 2 a 0, com gols de Rogério Ceni, de pênalti, e Ademilson.
No Morumbi, o time confirmou a classificação com um empate por 0 a 0.
Segunda fase
Bahia 0 x 2 São Paulo
São Paulo 0 x 0 Bahia
Classificado: São Paulo
Oitavas de final: São Paulo x Liga de Loja
Nas oitavas, o adversário foi o Liga de Loja, do Equador.
O São Paulo venceu o primeiro confronto fora de casa por 1 a 0, com gol de Osvaldo.
Na volta, no Morumbi, a equipe empatou por 1 a 1, garantindo a classificação.
Oitavas de final
Liga de Loja 1 x 1 São Paulo
São Paulo 1 x 0 Liga de Loja
São Paulo classificado por 2 a 1 no agregado.
Quartas de final: São Paulo elimina a Universidad de Chile
O desafio seguinte era ainda maior: a Universidad de Chile, atual campeã da competição e considerada uma das melhores equipes do continente naquele momento.
O São Paulo, entretanto, produziu uma das melhores atuações de sua campanha.
No Chile, o Tricolor venceu por 5 a 0, praticamente garantindo a classificação.
Na partida de volta, no Morumbi, venceu novamente, desta vez por 5 a 0.
A goleada fora de casa foi um dos grandes momentos da campanha.
Quartas de final
Universidad de Chile 0 x 5 São Paulo
São Paulo 5 x 0 Universidad de Chile
São Paulo classificado por 10 a 0 no agregado.
Semifinal contra a Universidad Católica
Na semifinal, o São Paulo enfrentou outra equipe chilena: a Universidad Católica.
O primeiro jogo aconteceu no Morumbi e terminou empatado por 1 a 1.
O resultado obrigava o Tricolor a buscar a classificação fora de casa.
E foi exatamente o que aconteceu.
Em Santiago, o São Paulo venceu por 5 a 1, em outra atuação dominante.
A equipe brasileira voltou a mostrar sua força ofensiva e garantiu presença na grande decisão.
Semifinal
São Paulo 1 x 1 Universidad Católica
Universidad Católica 1 x 5 São Paulo
São Paulo classificado por 6 a 2 no agregado.
A grande final contra o Tigre
Na decisão, o adversário foi o Tigre, da Argentina.
O primeiro jogo aconteceu em Buenos Aires e terminou empatado em 0 a 0.
A decisão ficou, portanto, completamente aberta para o Morumbi.
No dia 12 de dezembro de 2012, São Paulo e Tigre voltaram a campo para decidir o título.
E o Tricolor não decepcionou.
São Paulo 2 x 0 Tigre
O São Paulo começou a partida pressionando e encontrou seu primeiro gol aos 23 minutos.
Lucas Moura recebeu na área e marcou, colocando o Tricolor em vantagem.
Pouco depois, aos 27 minutos, Osvaldo ampliou a vantagem.
O São Paulo passou a controlar a partida e caminhava para uma vitória tranquila.
Entretanto, o confronto terminou de maneira extremamente polêmica.
No intervalo, os jogadores do Tigre se envolveram em uma confusão com atletas e membros da comissão técnica do São Paulo nos vestiários.
A equipe argentina decidiu não retornar para o segundo tempo.
O árbitro encerrou a partida e o São Paulo foi declarado vencedor por 2 a 0.
O título internacional
A conquista foi oficialmente confirmada e o São Paulo levantou a Copa Sul-Americana de 2012.
Para Rogério Ceni, o troféu teve um significado enorme.
O goleiro, que já havia conquistado Libertadores, Mundial de Clubes e outros grandes títulos pelo clube, adicionava mais uma taça internacional à sua coleção.
Para Lucas Moura, aquele título também representou uma despedida especial.
O jovem atacante havia sido uma das grandes estrelas da campanha e, pouco depois da final, deixou o São Paulo para se transferir ao Paris Saint-Germain.
A final contra o Tigre acabou sendo seu último jogo oficial pelo Tricolor.
Lucas Moura: o grande nome da campanha
Lucas foi fundamental para a conquista.
Com velocidade, dribles e capacidade de desequilibrar partidas, o atacante se tornou o principal símbolo daquele São Paulo.
Sua atuação na competição ajudou a consolidar a imagem de Lucas como uma das grandes promessas do futebol brasileiro.
A despedida não poderia ter sido melhor: título internacional diante da torcida são-paulina no Morumbi.
Uma campanha invicta
Um dos grandes destaques da conquista foi a invencibilidade.
O São Paulo não perdeu nenhum jogo durante sua trajetória na competição.
| Fase | Adversário | Campanha |
|---|---|---|
| 2ª fase | Bahia | 2-0 e 0-0 |
| Oitavas | Liga de Loja | 1-0 e 1-1 |
| Quartas | Universidad de Chile | 5-0 e 5-0 |
| Semifinal | Universidad Católica | 1-1 e 5-1 |
| Final | Tigre | 0-0 e 2-0 |
O Tricolor terminou a campanha com 12 jogos, 8 vitórias e 4 empates, sem nenhuma derrota.
Além disso, marcou 21 gols e sofreu apenas 5.
A goleada por 5 a 0 sobre a Universidad de Chile, fora de casa, foi provavelmente o momento mais impressionante da campanha.
O fim de um jejum internacional
O título teve importância ainda maior pelo contexto histórico do São Paulo.
O clube havia conquistado a Libertadores e o Mundial em 2005, mas não voltava a levantar um troféu internacional desde então.
A Sul-Americana de 2012 colocou novamente o Tricolor no topo do futebol continental.
Foi também o primeiro grande título de Ney Franco no comando do clube e uma das últimas grandes conquistas da geração liderada por Rogério Ceni.
O troféu fechou uma temporada que começou com dúvidas e terminou com uma festa inesquecível no Morumbi.
O legado do título de 2012
A conquista da Sul-Americana não teve o mesmo peso histórico das três Libertadores ou dos três Mundiais do São Paulo, mas ocupou um lugar importante na história recente do clube.
Foi o 12.º título internacional oficial do São Paulo, além de representar o retorno do clube ao caminho das grandes conquistas.
Aquela campanha também ficou marcada por três personagens:
- Rogério Ceni, líder e capitão;
- Lucas Moura, principal estrela ofensiva;
- Ney Franco, treinador responsável pela organização da equipe no segundo semestre.
E, para a torcida, o título representou algo ainda mais simples: a oportunidade de voltar a comemorar uma conquista continental.
Conclusão
A Copa Sul-Americana de 2012 foi conquistada pelo São Paulo em uma campanha que combinou regularidade, força ofensiva e grandes atuações fora de casa.
O Tricolor eliminou Bahia, Liga de Loja, Universidad de Chile e Universidad Católica antes de superar o Tigre na decisão.
Com Rogério Ceni levantando a taça e Lucas Moura se despedindo do clube como campeão, o São Paulo encerrou o ano com um título internacional e escreveu mais uma página importante de sua história.
Mais do que uma simples conquista, a Sul-Americana de 2012 marcou o reencontro do São Paulo com os títulos internacionais e entrou para a memória do torcedor como o último grande troféu continental conquistado pelo clube durante a era Rogério Ceni.
Por: Eduardo P. Silva