Poucos jogadores conseguiram dominar uma Copa do Mundo a partir do meio-campo como Xavi Hernández, Luka Modrić e Andrea Pirlo. Em gerações diferentes, os três comandaram suas seleções rumo a campanhas históricas e deixaram atuações que continuam sendo referência para qualquer amante do futebol.
Com base nos dados registrados pelo Sofascore em suas melhores participações em Mundiais — Pirlo em 2006, Xavi em 2010 e Modrić em 2018 — é possível analisar três formas distintas de controlar uma partida.
O maestro da posse: Xavi em 2010
Quando a Espanha conquistou seu primeiro título mundial na África do Sul, Xavi foi o cérebro de uma equipe que transformou a posse de bola em arte.
O espanhol registrou impressionantes 112 ações com a bola por partida, além de 85 passes certos por jogo e incríveis 90% de precisão. Nenhum dos outros concorrentes chegou perto desses números.
Sua influência aparecia principalmente na criação. Foram 4,29 passes decisivos por partida e seis grandes oportunidades criadas durante a campanha. Xavi não precisava marcar gols para decidir jogos; sua especialidade era controlar o ritmo, ditar o tempo das jogadas e colocar os companheiros em condições ideais para finalizar.
A campanha terminou com o título mundial da Espanha e consolidou o camisa 8 como um dos maiores organizadores da história do futebol.
O arquiteto italiano: Pirlo em 2006
Se Xavi era o mestre da circulação curta, Andrea Pirlo era o arquiteto capaz de enxergar espaços que ninguém mais via.
Na campanha do tetracampeonato italiano, o camisa 21 combinou visão de jogo, intensidade defensiva e qualidade nos lançamentos. Sua Nota Sofascore de 7,86 foi a maior entre os três comparados.
Pirlo marcou um gol, distribuiu três assistências e criou inúmeras jogadas desde posições mais recuadas. Além disso, liderou os números defensivos, com média de 2,9 desarmes por partida.
Sua participação foi decisiva na conquista da Itália na Alemanha. Mais do que um armador clássico, Pirlo atuava como um regente, organizando a equipe desde a saída de bola até o último passe.
O meio-campista completo: Modrić em 2018
Luka Modrić talvez represente o jogador mais versátil entre os três.
Na histórica campanha da Croácia rumo à final da Copa do Mundo de 2018, o capitão croata foi responsável por equilibrar criação, marcação, condução e finalização.
Modrić marcou dois gols, deu uma assistência e ainda apresentou excelentes números defensivos, com 1,6 desarme e 1,1 interceptação por partida. Sua capacidade de conduzir a bola sob pressão também ficou evidente nos 1,3 dribles certos por jogo.
Além dos números, o croata carregou uma seleção sem o mesmo poderio das gigantes europeias até a decisão do torneio, conquistando a Bola de Ouro da Copa e encerrando o domínio de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo no prêmio de Melhor Jogador do Mundo da FIFA naquele ano.
Três estilos diferentes de excelência
Comparar Xavi, Pirlo e Modrić é uma tarefa praticamente impossível porque cada um brilhou de forma diferente.
Xavi foi o símbolo máximo do controle e da posse de bola. Pirlo representou a criatividade aliada à inteligência tática e à capacidade de decidir partidas com passes precisos. Modrić mostrou um repertório mais completo, participando de todas as fases do jogo.
Os números ajudam a entender as diferenças, mas não encerram o debate. Afinal, cada um deles marcou época, liderou campanhas memoráveis e deixou sua assinatura na história das Copas do Mundo.
No fim das contas, talvez a maior conclusão seja que o futebol teve o privilégio de assistir três gênios do meio-campo em sua melhor versão nos maiores palcos do esporte. E independentemente da preferência de cada torcedor, Xavi, Pirlo e Modrić permanecerão como referências eternas de como comandar uma partida a partir do coração do campo.
Por: Eduardo P. Silva